Um pampeano
Atalanta, um liberto a perambular pelo pampa, xucro como o minuano despencando dos Andes, vivia solito e soltito, sem endereço e nem bandeira, dizia-se abençoado pelos deuses das matas, sabia de si, desimportava a vida alheia e, nesta sina, percorria a vastidão a abrir-se diante de seus olhos, diga-se, olhos sonhadores, em melodias sinfonizadas, rasgando as auroras, os porvires da terra sulina, chão ao qual, sentia-se acorrentado!
Desmamado da égua que lhe proveu o sustento inicial, conquanto, ainda piazito, fora apartado da mãe, em fatídico evento, a equina que o adotara com – sabedoria humana, cuidou-o até tornar-se gurizito, Atalanta adaptou-se a equina convivência, com ela conheceu plantas para degustação, mas aprendeu sozinho pescar em sangas, pequenos riachos, evoluindo conforme idade, porém, em grande vantagem, fosse comparado aos meninos de sua idade, assim, fazendo-o adulto antes do tempo!
Com o passar dos anos, Atalanta, vivia sempre alerta contra os perigos de toda ordem, vivera longe dos homens, mas junto a manada de selvagens, tornara-se hábil em montar no lombo nu, destes, eles, aceitavam a sua companhia, nos pernoites formavam círculos, deixando-o no dentro, com o passar dos anos ele ia compreendendo as razões equinas, em especial, quando defendiam-no de investidas das feras presentes na natureza.
Já mocito, Atalanta experimentou o convívio humano, entrementes, embora dotado de coração selvagem, sabiamente, possuía convívio socializado, próprio dos equinos, partilhando pastagens, águas, sombras e outros, espantou-se com as atitudes dos homens, estranhou os lotes aramados, plantações individualizadas, colheitas recolhidas às tulhas!
A natureza oferece mensagens lindas, aulas graciosas, bordadas de estações, simbolismos, encantamentos, maravilhas sobrepondo maravilhas, dispostas descontinuamente pelos campos, onde cada espécie contribui com sua beleza, para formar o grande cenário disponibilizado aos olhos…, falta aos homens compreender as lições!

