Trump diz que EUA vão assumir controle do Estreito de Ormuz e cobra taxa sobre cargas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que pretende assumir o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo. A declaração foi feita durante entrevista à emissora Fox News, em meio à retomada das tensões entre Washington e Teerã.
Segundo Trump, os Estados Unidos passarão a atuar como “guardiões” da via marítima e deveriam ser compensados financeiramente pela segurança da região.
Em seguida, o presidente reforçou a posição em uma publicação na rede Truth Social, onde anunciou a cobrança de uma taxa equivalente a 20% sobre toda carga transportada pelo estreito. A medida representa uma mudança em relação ao discurso adotado em junho, quando havia afirmado que não haveria cobrança pelo uso da rota.
O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico e, antes do conflito, concentrava cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás.
A proposta de Trump também rompe com os termos do memorando de paz firmado entre Estados Unidos e Irã, que previa a reabertura da rota sem cobranças durante um período de 60 dias, enquanto os países envolvidos negociavam um modelo definitivo de administração.
Irã reage
O governo iraniano rejeitou as declarações do presidente americano e afirmou que não aceitará qualquer interferência dos Estados Unidos na administração do estreito.
Em comunicado, o comando militar do país declarou que qualquer tentativa de embarcações americanas de transitar pela região sem autorização será contestada e alertou que eventuais apoios de países vizinhos aos EUA poderão ser considerados atos de guerra.
A Guarda Revolucionária também reafirmou que o Irã mantém o controle sobre a passagem marítima e acusou Washington de colocar em risco a segurança do abastecimento global de petróleo e gás.
Escalada das tensões
O Irã afirma que voltou a fechar o Estreito de Ormuz no último sábado (11), informação negada pelos Estados Unidos.
A nova crise ocorre após três dias consecutivos de ataques americanos contra alvos militares iranianos, em resposta a ações do Irã contra embarcações na região. Em retaliação, Teerã lançou ataques contra bases e instalações estratégicas ligadas aos EUA em países como Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã.
Em meio à escalada do conflito, autoridades iranianas afirmaram que o período de acordos unilaterais chegou ao fim e voltaram a defender o controle do país sobre a importante rota marítima.

