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SANTO ÂNGELO
17 de outubro de 2026
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Opinião

Trânsito precisa ser discutido

  • outubro 17, 2026
  • 5 min read

A recente proposta do vereador Lorenzo Tonetto (Novo) na Câmara de Vereadores, sugerindo uma revisão nos horários e locais de carga e descarga na área central de Santo Ângelo, traz à tona um debate antigo, mas indispensável. O comércio central precisa de dinamismo logístico, enquanto o fluxo de veículos e pedestres clama por fluidez e segurança. Contudo, qualquer intervenção em uma via urbana carrega um efeito dominó: alterar uma regra de estacionamento em uma quadra mexe diretamente com o comportamento do tráfego em todo o seu entorno.

Trânsito não aceita soluções puramente pontuais. Quando se aperta o nó em uma rua, o gargalo inevitavelmente se desloca para a avenida seguinte. Por isso, a iniciativa parlamentar deve ser encarada não como uma medida definitiva, mas como o gatilho necessário para algo muito maior: um estudo técnico abrangente e consistente sobre a mobilidade urbana de Santo Ângelo como um todo. O município cresceu, o volume de veículos aumentou e as demandas por vagas de estacionamento, rotas de carga e segurança de pedestres se tornaram complexas demais para o empirismo. Santo Ângelo precisa de um diagnóstico técnico global que projete o fluxo das próximas décadas, e não de intervenções isoladas que apenas transferem o problema de endereço.

 

Financiamento público é engrenagem de estímulo ao continuismo

A distribuição bilionária dos fundos partidário e eleitoral no Brasil expõe uma contradição crônica no coração da nossa democracia. Concebidos sob o pretexto de garantir a igualdade de condições nas disputas, esses mecanismos transformaram-se, na prática, em um poderoso escudo de autoproteção para as lideranças que já dominam o cenário político.

O formato atual das regras de repasse cria um abismo insuperável entre quem busca a reeleição e quem tenta ingressar na vida pública. Ao centralizar o controle de verbas astronômicas nas cúpulas partidárias, o sistema asfixia o surgimento de novas lideranças e, por consequência, o debate de ideias genuinamente renovadoras.

 

Filtro de exclusão

Em vez de democratizar o acesso ao parlamento, o dinheiro dos cofres públicos funciona como um filtro de exclusão, blindando privilégios e mantendo intocada a correlação de forças tradicional. Candidatos locais na eleição do dia 4, sentiram isso na pele. Os “donos” de partidos políticos são CEOs desses fundos e decidem sua destinação ao seu “bel prazer”.

Uma reforma profunda nessas regras deveria ocorrer, mas não dá para imaginar que isso ocorra diante do perfil do Congresso recentemente eleito.

 

Novos casos de corrupção a cada dia

Seguimos assistindo denúncias que alcançam o topo das estruturas da República. Relatos detalhados, áudios e imagens expõem uma teia de favorecimentos envolvendo personagens que cruzam as fronteiras dos três poderes: de magistrados de cortes superiores a parlamentares, passando por ministros de Estado, banqueiros e grandes empresários.

Aquele primeiro diagnóstico de que seriam “casos isolados” ruiu completamente. Se o sistema funcionasse sob o rigor republicano, o país veria uma mobilização institucional imediata para investigar e punir os culpados. No entanto, o que se testemunha é algo muito mais grave: o silêncio e a normalização.

 

Eleitores anestesiados

O dado mais alarmante dessa crise não está na audácia dos envolvidos, mas na ausência de constrangimento público. A esperada indignação social está sendo substituída por uma apatia crônica. O que foi comprovado na urnas, quando nomes completamente enlameados foram eleitos com expressivas votações.

Ao ignorar o peso das graves denúncias no momento do voto, o eleitor sinaliza que a corrupção deixou de ser um fator de ruptura ética para se tornar um elemento aceito na paisagem política nacional.

É bom refletir que quando o erro não choca mais, a sociedade abdica do direito de exigir a própria renovação.

 

Valores reversos

Também é surreal que defensores de “valores” agora se postem com extrema mansidão e, inclusive, tentam convencer os demais de que a participação de magistrado do STF em festas regadas a prostitutas internacionais, a maioria refugiadas de países em guerra e pagas com dinheiro mal havido do sistema público, é coisa absolutamente normal.

Assim, “valores” se perdem pela linha de fundo em nome da defesa do corrupto de estimação.

 

Perguntar não ofende

Casos públicos de infidelidade partidária local serão devidamente tratados ou apenas jogados para baixo do tapete como em eleições anteriores?

 

Só para lembrar

É um erro imaginar, agora, que o resultado da recente eleição unge ou alija alguém das futuras disputas. A política, como já se consagrou, tem seu dinamismo peculiar e, na grande maioria das vezes, sem nenhuma lógica.

 

Para refletir

“A democracia é uma forma superior de governo, porque se baseia no respeito do homem como ser racional.”

John F. Kennedy

 

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HOGUE

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