Relatório aponta falhas recorrentes em geradores de helicóptero que caiu e matou cantor Rick

O relatório preliminar sobre o acidente com o helicóptero que caiu em Urubici, em Santa Catarina, e matou o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas aponta falhas recorrentes nos geradores da aeronave. O documento também revela que o gravador de áudio da cabine, conhecido como caixa-preta, não registrou o voo do acidente.
O relatório foi anexado na terça-feira (21) ao processo de investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB).
Segundo o documento, as informações extraídas do Cockpit Voice Recorder (CVR) continham diálogos referentes a um procedimento de manutenção realizado em data não identificada, e não ao voo que terminou na queda.
A investigação também identificou registros de problemas frequentes nos geradores do helicóptero. Um mecânico que já havia realizado serviços na aeronave recomendou que ela retornasse à oficina para uma nova avaliação, mas a inspeção não havia ocorrido até a data do acidente.
Os geradores são responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica da aeronave e, em determinados modelos, também participam do processo de partida dos motores.
O acidente ocorreu em 21 de setembro, após o helicóptero decolar de Porto Belo (SC). Além de Rick Sollo, que formava dupla sertaneja com Renner, morreram o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
Falhas nos geradores eram recorrentes
De acordo com o relatório, algumas falhas nos geradores haviam ocorrido após voos realizados dentro de nuvens ou sob chuva, condições que expuseram os equipamentos à umidade. O mecânico confirmou que os problemas eram frequentes, embora não pudesse afirmar que a umidade era a causa das panes.
Os defeitos chegaram a diminuir temporariamente, mas voltaram a ocorrer. Em um dos episódios, um dos geradores deixou de fornecer energia elétrica, enquanto o outro manteve o funcionamento do sistema elétrico e evitou que as telas da aeronave se apagassem.
Os registros de manutenção apontam que, em 25 de abril de 2026, o segundo motor-gerador de partida precisou ser substituído por uma unidade alugada.
O equipamento retirado passou por reparos e foi reinstalado em 13 de maio, na posição anteriormente ocupada pelo primeiro motor-gerador. Após a troca de posições, as falhas começaram a ocorrer alternadamente nos dois equipamentos.
Diante da recorrência dos problemas, o mecânico recomendou que o helicóptero retornasse à Organização de Manutenção para uma inspeção que identificasse a origem das panes.
Aeronave já havia feito pouso de emergência no RS
Antes do acidente fatal, em 30 de março, o helicóptero precisou realizar um pouso de emergência em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, após apresentar uma vibração considerada anormal.
Conforme o documento, as manutenções realizadas posteriormente não identificaram problemas relacionados à vibração do rotor principal.
Caixa-preta não registrou o voo do acidente
Embora a legislação vigente não exigisse gravadores de voo para esse tipo de operação, o helicóptero estava equipado com um Cockpit Voice Recorder (CVR), com capacidade para armazenar 30 minutos de áudio. Segundo o relatório, o equipamento havia sido instalado na aeronave em 17 de maio de 2002.
Na análise do dispositivo, os investigadores encontraram conversas relacionadas a uma intervenção de manutenção, sem registros do voo que terminou no acidente.
O relatório preliminar, de 16 páginas, ressalta que nenhuma hipótese para a queda foi descartada até o momento. O Cenipa informou que exames e análises complementares seguem em andamento.
O órgão também esclareceu que o documento apresenta o estágio atual da investigação e que seu conteúdo pode ser alterado, sem necessariamente antecipar as conclusões do relatório final.
Condições meteorológicas incluíam chuva e nuvens baixas
Conforme o Cenipa, o helicóptero colidiu contra o terreno em uma região montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina.
No momento do acidente, a região era afetada por um sistema frontal, com chuva e formação de nuvens baixas.
A previsão meteorológica para voos em baixos níveis na Região de Informação de Voo de Curitiba, válida entre 12h e 18h UTC, indicava chuva moderada, com visibilidade reduzida a três quilômetros, além de trovoadas embutidas e nuvens de grande desenvolvimento vertical. O documento também apontava obscurecimento de montanhas na Serra Geral.
Apesar dos registros de falhas mecânicas e das condições meteorológicas, o Cenipa reforça que a investigação continua e que ainda não há uma conclusão definitiva sobre as causas do acidente.

