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SANTO ÂNGELO
31 de outubro de 2026
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Opinião

Reconciliação

  • outubro 31, 2026
  • 2 min read

Lá se foi mais um pleito eleitoral. Mais uma vez, tivemos uma disputa marcada por uma polarização fervorosa. Polarizar, por sinal, não é algo novo. Desde o período colonial, convivemos com embates entre conservadores, que buscavam nos manter vinculados a Portugal, e aqueles que erguiam a bandeira da independência.

Os antagonismos também se manifestaram entre escravocratas e abolicionistas, republicanos e monarquistas. Até hoje, encontramos os saudosistas do regime ditatorial e aqueles que repudiam os crimes praticados pelos ditadores.

O fato é que, desde a Constituição de 1988, apesar das nuances do pluripartidarismo político, o saldo das disputas eleitorais, para além da soberania popular, é a vitória da democracia.

Podemos, portanto, ocupar posições opostas no campo das ideias e divergir sobre economia, políticas sociais e orçamento público, entre tantos outros temas, desde que o façamos dentro dos limites civilizatórios, sem discriminação em razão das escolhas políticas de cada um.

A história já demonstrou, em diversas ocasiões, que a perseguição política a determinados grupos pode abrir caminho para práticas genocidas que assombraram a humanidade.

Dito isso, talvez o caminho a seguir seja o da reconciliação. Se é natural que os políticos protagonizem embates retóricos acalorados, às vezes protegidos pela imunidade parlamentar, seria desejável que as comunidades adotassem o respeito como regra de convivência.

Estimular, por exemplo, a demissão de trabalhadores por divergências políticas, se levado às últimas consequências, poderia inviabilizar a própria existência da classe trabalhadora.

A luta de classes é um fato histórico e social. Não podemos ignorar que os grupos possuem interesses distintos, e isso é legítimo, desde que a divergência não se transforme em ódio, perseguição ou negação da dignidade.

A democracia nos permite discordar; a maturidade nos ensina a respeitar; e a esperança nos convida a olhar adiante. Que as disputas eleitorais fiquem nas urnas e que, fora delas, prevaleça o compromisso de trabalhar por um país mais justo, próspero e solidário. O futuro será construído por todos os brasileiros, cada qual com seu relevante papel.

 

 

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Andrey Régis de Melo

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