Polícia investiga possíveis casos de intolerância religiosa contra candidatas em concurso público

A Polícia Civil abriu inquérito para apurar supostos casos de intolerância religiosa no concurso da Polícia Penal do Rio Grande do Sul. A investigação parte de ocorrências registradas por duas candidatas que realizaram as provas em Porto Alegre, no dia 9 de agosto.
Vinicius Nahan, titular da Delegacia de Polícia de Combate à Intolerância (DPCI), que conduz o caso, explicou que a abordagem às participantes será analisada:
— O que chamou atenção foi o fato de serem pessoas de religiões diferentes. O que vamos verificar é até que ponto as regras do edital interferem na manifestação religiosa e se ocorreu, de fato, a discriminação.
As mulheres relataram à polícia ter sofrido constrangimentos relacionados ao uso de vestimentas religiosas e aos procedimentos de fiscalização.
Em um dos casos, a candidata relatou que, após estar acomodada na sala, foi chamada por uma fiscal para verificar a situação de seu turbante — acessório utilizado por praticantes de religiões de matriz africana. Ela conta que teria recebido a possibilidade de retornar e continuar o exame, mas disse não ter condições emocionais de prosseguir.
A participante também informou que desejava fazer uma ligação telefônica, mas foi alertada pelos fiscais de que o uso de celular poderia resultar em desclassificação. A Brigada Militar (BM) foi acionada, e a mulher dirigiu-se a uma delegacia acompanhada por uma representante da Fundatec, empresa responsável pelo certame.
Em outra ocorrência, uma candidata muçulmana relatou ter sido submetida a duas revistas em razão do uso do hijab — véu utilizado por motivos religiosos para cobrir a cabeça e o pescoço. Conforme o registro policial, ela foi inicialmente revistada por fiscais mulheres na entrada e autorizada a ingressar no local de prova.
Cerca de duas horas após o início do exame, teria sido abordada novamente e levada ao banheiro para uma nova revista, sem que nenhuma irregularidade fosse encontrada. A participante disse que, ao retornar à sala, um fiscal homem teria exigido a retirada do véu.
Ainda segundo a candidata, faltando cerca de 40 minutos para o término da prova, um alarme de baixo volume disparou no seu celular, que estava guardado. Ela afirma que chamou a fiscalização espontaneamente, sem manusear o aparelho, mas acabou eliminada do concurso sem assinar qualquer termo ou receber documento formal.
A Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo referiu que “a responsabilidade da aplicação das provas do concurso é da empresa contratada, e as regras são previstas no edital. Cabe destacar que a Polícia Penal respeita todas as liberdades sociais e religiosas”.
Fonte: GZH

