PF prende MC Ryan SP e MC Poze do Rodo em operação contra lavagem de R$ 1,6 bilhão

A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (15), os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo durante a Operação Narcofluxo, que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão em esquemas de lavagem de dinheiro e transações ilegais.
Além dos artistas, também foram detidos o influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei e Chrys Dias, produtor de MC Ryan. Segundo a PF, os bens apreendidos incluem cerca de R$ 20 milhões em veículos.
Ryan Santana dos Santos, de 25 anos, foi preso durante uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga. Considerado um dos nomes de destaque do funk nacional, ele soma milhões de ouvintes nas plataformas digitais e mais de 15 milhões de seguidores nas redes sociais.
Na ação, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos, armas e um colar com a imagem do narcotraficante Pablo Escobar.
A Justiça autorizou 39 mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão. Até o momento, 33 prisões foram cumpridas, e as investigações seguem em andamento. Os suspeitos poderão responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Também foram determinadas medidas como sequestro de bens e restrições empresariais, com o objetivo de interromper as atividades ilegais e garantir possível ressarcimento.
Os mandados foram executados em nove estados. No Rio de Janeiro, foi preso Marlon Brandon Coelho Couto Silva, o MC Poze do Rodo, de 27 anos, localizado em um condomínio no bairro Recreio dos Bandeirantes.
Operação Narcofluxo
De acordo com o delegado Marcelo Maceiras, a operação é um desdobramento da Operação Narcobete, deflagrada no ano passado. A investigação aponta a existência de uma estrutura organizada para “legalizar” recursos de origem criminosa, incluindo tráfico de drogas e esquemas ilegais de apostas e rifas online.
Segundo a PF, o grupo utilizava mecanismos para ocultar a origem do dinheiro, como movimentações financeiras de alto valor, transporte de valores em espécie e uso de criptoativos.
As apurações indicam ainda que pessoas com grande visibilidade eram usadas para promover plataformas ilegais e ajudar a movimentar recursos sem levantar suspeitas.
De acordo com o delegado, o dinheiro ilícito era inserido no sistema financeiro formal por meio de pagamentos a figuras públicas, o que ajudava a dar aparência legal aos valores. Em seguida, os recursos eram pulverizados com o uso de “laranjas”, dificultando o rastreamento.
A operação também cumpriu mandados nos estados de Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.
Fonte: Agência Brasil

