Paz…
Postado junto ao moirão da velha porteira, do piquete onde pernoitam os cavalos da lida e os petiços dos piás, é neles que o guris vão à escola do rincão, pasta tiracolo para os livros, outra sacolita para merenda, por vezes, ovo cozido e pão de milho, uma puxa-puxa bem a preceito, enrolada na palha de milho, em outro dia, cueca virada, ainda, um pão de milho com melado e nata, oigalê, cousa buena, havia quem levava uma garapa ou guarapa (ambos correto, por variação linguística, do nosso regionalismo), ah, bolo frito, quem possuía uma mala de garupa, até os cadernos e a lousa, iam debaixo dos pelegos.
E o moirão? Está encravado, mais firme que sovéu nas aspas de um brasino, ele, escolhido pelos olhos do avô, sempre atento ao tipos de solo e madeiras para os alambrados, por incrível que possa parecer, esse era o lugar predileto do vovô, para as meditações, o entardecer fazia convite e lá se ia ele, aos passitos, prosear com o moirão, em noites de lua cheia, tardava, tardava, por vezes, papai ia ao seu encontro, a noite ficava pequena, tal o tamanho do laço de prosa… nunca nos revelaram os assuntos!
Piás, petiços, lacinhos, …os piás encilham petiços, com os lacinhos laçam terneiros, os terneiros por piás, divertem a gurizada, isso, depois do retorno da escolinha, ah …escolinha, ninguém esquecerá de ti, plantada na beira do capão, próxima da sanga, simples ranchito, coberto com tabuinhas, tábuas brutas pro fecho, com aqueles bancos para três estudantes, a mesa com as tábuas levemente inclinadas, facilitando a escrita e a leitura, apropriado para os alunos, esse modelo deveria retornar, pelo menos a mesa!
Vovô não teve oportunidade de frequentar uma escola, naqueles idos, não havia naqueles recônditos onde se criou(Picada Café), papai aprendeu assinar o nome, porém, encaminhou os seus às escolas, seguiam a pé, montados em petiços, onde os havia, ora, ventos sopram noticiando o fechamento de escolas no interior e nas cidades, estranheza, nossos números estatísticos mencionam baixíssimos índices, evasão escolar elevada, falta de mão de obra, mas uma massa humana desempregada, algo está errado, transporte escolar, merendas nas escolas, dispensando o ovo cozido, puxa-puxa, rapadura! Estranho???
Cada qual com sua jornada, sem dúvidas! Mas elevando os olhos, não vejo o delírio dos guris dos petiços, porém, vejo, tristemente, jovens sem futuros, adultos desvirtuados, anciãos soluçando doridos, o descaminho das gentes. Soluce, soluce, soluce outra vez, pois, somente em outra “constelação,” a paz inundará, campos, cidades, mar e ar!!!

