Operação mira esquema financeiro do PCC e investiga ligação de coronel da PM com suspeitos

O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (21) uma operação para desarticular um grupo suspeito de operar o sistema financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações apontam um esquema de lavagem de dinheiro, uso de empresas de fachada e suposto pagamento de propina a agentes públicos.
Entre os investigados está o coronel da Polícia Militar Luiz Carlos Pereira Martins. Segundo o Ministério Público, ele participava de um grupo de WhatsApp com Cléber Azevedo dos Santos, apontado como integrante da facção criminosa. De acordo com a apuração, o grupo tinha caráter social e pessoal, mas as conversas também indicariam uma relação de proximidade entre os participantes.
Outro elemento da investigação é um áudio atribuído a Cléber, gravado em julho de 2025, no qual ele solicita R$ 100 mil em dinheiro para substituir uma transferência bancária. Na gravação, o valor seria destinado ao pagamento de policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). A defesa de Cléber e a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não se manifestaram sobre o conteúdo.
Segundo o Ministério Público, também foram identificadas conversas em que investigados mencionam pagamentos a policiais e a intermediação de contatos com autoridades. Em outra frente da investigação, uma anotação registra um suposto pagamento em dinheiro a um coronel identificado como “Patrício”.
Ao todo, 13 pessoas foram presas durante a operação. Outras cinco são consideradas foragidas, entre elas o doleiro Leonardo Meirelles. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em bens e valores, além do sequestro de patrimônios de investigados e empresas ligadas ao esquema.
As investigações apontam que operadores financeiros recebiam dinheiro em espécie de integrantes do PCC e de outras atividades criminosas. Os recursos eram inseridos no sistema bancário por meio de empresas de fachada e contas em nome de laranjas, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro. Posteriormente, os valores eram utilizados na compra de imóveis e, segundo o Ministério Público, também no pagamento de agentes públicos.
A apuração ganhou força após uma disputa envolvendo a negociação de um imóvel na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista. Mensagens encontradas em celulares apreendidos indicam que integrantes do esquema recorreram ao chamado “tribunal do crime” do PCC para resolver um conflito relacionado a uma dívida de cerca de R$ 2 milhões.
Durante a operação, cerca de 60 policiais cumpriram 18 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão. A investigação prossegue para apurar a participação de outros envolvidos e o alcance do esquema criminoso.

