Operação Boi Fantasma investiga esquema de R$ 100 milhões com venda fictícia de gado no RS

Uma operação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) desarticulou nesta terça-feira (9) um grupo suspeito de movimentar mais de R$ 100 milhões por meio da comercialização fictícia de gado. A ação, denominada Operação Boi Fantasma, resultou na prisão de nove pessoas em Alegrete, sendo oito por mandado de prisão preventiva e uma em flagrante.
De acordo com as investigações, o esquema era liderado por um traficante conhecido como “Rei do Gado”, que comandava as atividades criminosas de dentro de um presídio em Uruguaiana. Após a operação, ele foi transferido para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).
A ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal. Durante cerca de dez meses de investigação, os agentes identificaram um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico por meio da emissão de documentos que simulavam a compra e venda de animais que nunca existiram.
Segundo o Ministério Público, a organização arrendou propriedades rurais em Alegrete e utilizava terceiros para registrar as atividades agropecuárias. O grupo emitia notas fiscais e Guias de Trânsito Animal (GTAs) sem que houvesse qualquer movimentação real de rebanhos.
Monitoramentos realizados pelas equipes, inclusive com drones, confirmaram que não havia criação de gado nas áreas investigadas. Conforme o coordenador estadual do Gaeco, promotor Rogério Meirelles Caldas, os suspeitos utilizavam o chamado “gado de papel” para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras.
Além das prisões, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A Justiça também determinou o bloqueio de mais de R$ 100 milhões em contas bancárias, além da apreensão de 15 veículos, um imóvel, armas e drogas.
As investigações apontam ainda indícios de falsidade ideológica, movimentações incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos e operações comerciais simuladas entre integrantes da organização. Segundo o Ministério Público, os dados fiscais, bancários e agropecuários analisados demonstraram que os animais existiam apenas nos documentos apresentados pelo grupo.

