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SANTO ÂNGELO
01 de maio de 2026
Rádio AO VIVO
Opinião

O problema das Bets

  • maio 1, 2026
  • 2 min read

Dias atrás, ao buscar minhas filhas na escola, percebi que alguns trabalhadores de uma obra “se divertiam” com apostas on-line. A cena, que já se tornou parte do cotidiano em tantas outras situações, merece algumas reflexões.

As bets deixaram de ser apenas entretenimento digital. Tornaram-se um problema econômico, familiar e de saúde pública. Vendidas como diversão ou “renda extra”, elas operam, na prática, como um sistema de captura contínua de dinheiro, afetando os mais vulneráveis.

Os impactos no comércio são objetivos. Estudo da Confederação Nacional do Comércio estima que as apostas on-line retiraram R$ 143 bilhões do varejo brasileiro (2024-2026).

É dinheiro que deixou de circular em mercados, farmácias, lojas, restaurantes e pequenos negócios, equando parte crescente da renda vai para aplicativos de aposta, o comércio local perde fôlego e a economia real encolhe.

Dentro de casa, o estrago é ainda mais silencioso. O Banco Central apontou que, só em agosto de 2024, cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família movimentaram R$ 3 bilhões em apostas via Pix. Isso significa comida, remédio e conta de luz sendo substituídos pela promessa ilusória de ganho rápido. A consequência aparece em forma de conflito doméstico, endividamento, quebra de confiança e desorganização familiar.

Ea dependência? O jogo digital é desenhado para prender. Recompensa instantânea, estímulo contínuo, falsa sensação de controle e promessa de recuperação da perda compõem a lógica clássica do vício.

Segundo a USP, cerca de 11 milhões de brasileiros já apresentam comportamento problemático relacionado ao jogo. Não se trata mais de “falta de controle”, mas de um transtorno com efeitos psíquicos, financeiros e sociais.

Enfrentar isso exige três frentes. Primeiro, regulação séria: limitar publicidade, restringir estímulos agressivos e controlar o acesso de vulneráveis. Segundo, reconhecer a ludopatia como questão de saúde pública e ampliar atendimento psicológico no SUS. Terceiro, educação financeira e digital, especialmente para jovens e famílias de baixa renda.

A lógica das bets é simples: poucos ganham, muitos perdem, e quase sempre perde quem menos podia. Apostar não é entretenimento, mas problema social.

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Andrey Régis de Melo

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