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SANTO ÂNGELO
16 de maio de 2026
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Opinião

O filme do ano

  • maio 16, 2026
  • 2 min read

Não vem de Hollywood o blockbuster de orçamento milionário voltado ao entretenimento dos cinéfilos. A cinebiografia Dark Horse, que retratará a saga de Jair, antes mesmo das salas de cinema, deixa o campo ficcional para ocupar a mais pura realidade brasileira.

O roteiro lembra The Godfather, embora Don Corleone já esteja encarcerado na pornochanchada brasileira. No segundo capítulo dessa trilogia tupiniquim, porém, surge uma peculiar reviravolta com uma nova liderança assumindo o protagonismo do clã.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato ao Planalto, oferta ao Brasil relações umbilicais pouco republicanas com Daniel Vorcaro, bandido que executou o maior crime da história contra o sistema financeiro nacional.

A brotheragem entre o senador e o banqueiro está estampada nos áudios: “irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!”.

A frase, dita no contexto de uma nebulosa cobrança feita por Flávio, expõe mais do que solidariedade com Vorcaro. O afetorevela, é bom que se diga, uma película tarantinesca que carece de respostas.

Não é algo normal, tampouco lícito, o pedido de dinheiro veiculado por políticos a criminosos, ainda mais quando todos já conheciam a investigação contra o Banco Master.

Flávio, que negou o pedido inicialmente, mas, depois do áudio, mudou a versão, afirma que os R$ 134 milhões seriam destinados ao filme sobre o pai. O problema é que, para casos complexos, a resposta nunca é simples.

O filme segue com a produtora publicando nota na qual afirma que nunca recebeu dinheiro de empresas do criminoso Vorcaro. A próxima cena dos bastidores do poder é: “onde foi parar o dinheiro?”.

O caso torna-se ainda mais obscuro. O contrato é confidencial. A imprensa escrutina o destino dos milhões de dólares já pagos e, então, aparece um fundo de investimento estadunidense cujo gestor é o advogado de Eduardo Bolsonaro, residente nos EUA.

Na cena final, ainda sob os cuidados do roteirista, não se sabe ao certo o que vai acontecer. Aliás, é no último minuto que saberemos se essas faturas pagas pelo Master fazem parte de uma comédia, se os bolsonaros representam uma grande tragédia grega adaptada aos trópicos ou, ainda, se fomoscoadjuvantes de um filme de terror.

 

 

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Andrey Régis de Melo

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