Assine o Jornal das Missões! Clique aqui!
SANTO ÂNGELO
06 de outubro de 2026
Rádio AO VIVO
País Política

Nunes Marques deve liberar para julgamento revisão de Bolsonaro após segundo turno

  • outubro 6, 2026
  • 5 min read
Nunes Marques deve liberar para julgamento revisão de Bolsonaro após segundo turno

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve liberar para julgamento, após o segundo turno das eleições, os pedidos de revisão criminal apresentados pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os advogados tentam anular a condenação de 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista.

A expectativa é que o pedido não seja analisado antes da votação, marcada para 25 de outubro. A previsão, porém, é de que o caso seja julgado ainda neste ano, embora não imediatamente após a eleição.

Antes de liberar o processo para julgamento, Nunes Marques deve solicitar manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre os novos argumentos apresentados pela defesa na segunda revisão criminal, protocolada no fim de setembro.

A expectativa é que a PGR volte a se posicionar contra o pedido, como ocorreu na primeira revisão apresentada pelos advogados.

Também há a possibilidade de que, antes da análise da revisão criminal, o ministro Alexandre de Moraes devolva para julgamento as ações que discutem a chamada lei da dosimetria, que altera o cálculo das penas aplicadas aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Uma definição sobre a mudança no cálculo das penas poderá influenciar a análise do pedido apresentado pela defesa de Bolsonaro.

O que argumenta a defesa

A segunda revisão criminal foi apresentada em 25 de setembro. Entre os novos argumentos está um parecer técnico que aponta possíveis problemas na cadeia de custódia e limitações para verificar parte das provas digitais utilizadas no processo.

A cadeia de custódia reúne os procedimentos utilizados para registrar e acompanhar uma prova desde sua obtenção até sua utilização no processo, com o objetivo de preservar sua origem e integridade.

A defesa também cita a crise envolvendo o Banco Master e declarações de Alexandre de Moraes sobre dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Os advogados fazem uma comparação com o processo de Bolsonaro e afirmam que não tiveram acesso à íntegra do material bruto extraído de aparelhos apreendidos durante as investigações.

O parecer técnico, no entanto, não afirma que as provas utilizadas contra Bolsonaro tenham sido adulteradas. O argumento da defesa é de que não teria sido possível verificar integralmente a origem e o processamento de parte dos dados.

Primeira revisão foi rejeitada pela PGR

Esta é a segunda revisão criminal apresentada pela defesa de Bolsonaro contra a mesma condenação.

O primeiro pedido foi protocolado em maio. Na ocasião, os advogados alegaram erros no processo e pediram, entre outros pontos, a anulação da ação penal, da colaboração premiada de Mauro Cid e das provas decorrentes dela.

Nunes Marques foi definido como relator e encaminhou o caso para manifestação da PGR.

Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o STF rejeitasse o pedido. Segundo ele, os argumentos apresentados não traziam fatos ou questões novas capazes de justificar a revisão de uma condenação definitiva.

Agora, a PGR deverá analisar os novos elementos apresentados na segunda revisão, incluindo o parecer técnico sobre as provas digitais.

O que é revisão criminal?

A revisão criminal é uma ação utilizada para contestar uma condenação que já se tornou definitiva em situações específicas previstas em lei. A medida pode ser apresentada, por exemplo, quando surgem novas provas capazes de colocar em dúvida a condenação.

Não se trata de um novo julgamento do processo e é considerada uma medida excepcional.

Entre as situações que podem justificar uma revisão estão casos em que:

  • a sentença foi contrária à lei penal ou às provas do processo;
  • a condenação foi baseada em depoimentos, exames ou documentos comprovadamente falsos;
  • surgiram novas provas de inocência ou elementos que possam justificar uma redução especial da pena.

No caso de Bolsonaro, a defesa sustenta que os novos elementos apresentados justificam a reavaliação da condenação.

Na ação protocolada em setembro, os advogados também voltaram a pedir a suspensão da execução da pena.

Por que Nunes Marques é o relator?

A defesa pediu que a segunda revisão também fosse distribuída a Nunes Marques por prevenção, já que ele é o relator da primeira ação apresentada contra a mesma condenação.

A distribuição por prevenção ocorre quando um processo relacionado a outro que já tramita no tribunal é encaminhado ao mesmo relator.

Em 24 de setembro, um dia antes de protocolar a nova revisão, a defesa pediu ao ministro a suspensão da execução da pena enquanto a primeira ação era analisada. Horas depois, desistiu especificamente desse pedido, mas manteve a revisão criminal.

No dia seguinte, ao apresentar a segunda ação, os advogados voltaram a pedir a suspensão da pena.

Até o momento, o pedido de suspensão não foi analisado. A possibilidade de uma decisão liminar antes do julgamento da revisão criminal, portanto, permanece em aberto.

Fonte: g1

About Author

Carolina Gomes

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *