Guerra com Irã deixa EUA com “buraco” estratégico no Pacífico, diz analista
Carolina Gomes
- agosto 19, 2026
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O envio do porta-aviões USS George Washington ao Oriente Médio para reforçar a presença militar dos Estados Unidos na guerra contra o Irã abriu uma lacuna estratégica no Pacífico, segundo análise publicada pelo jornal The New York Times.
O porta-aviões foi deslocado para substituir o USS Abraham Lincoln, que enfrenta problemas técnicos e relatos de uma crise de saúde mental entre integrantes da tripulação.
Segundo John Ismay, repórter do New York Times especializado em questões estratégicas, o USS George Washington tem uma função de reserva para os demais porta-aviões norte-americanos e, em condições normais, atua como instrumento de dissuasão dos EUA no Pacífico.
O navio fica baseado em Yokosuka, no Japão, junto à 7ª Frota dos Estados Unidos. A presença norte-americana na região é considerada estratégica diante das tensões envolvendo China e Taiwan e as duas Coreias.
Lacuna no Pacífico
Para Ismay, o deslocamento do porta-aviões para o Oriente Médio, sem uma substituição imediata, deixa os EUA com menos capacidade de resposta diante de uma eventual escalada no leste asiático.
O analista também destacou que o deslocamento de navios de guerra entre regiões pode levar dias, enquanto o envio de uma embarcação dos Estados Unidos para a Ásia pode levar cerca de um mês.
A situação é apontada como um exemplo do chamado “custo de oportunidade”: ao reforçar uma frente militar, os EUA reduzem temporariamente sua capacidade de atuação em outra região.
Estoques militares sob pressão
O deslocamento ocorre em um momento em que os Estados Unidos também enfrentam preocupações com seus estoques de armamentos.
Nas últimas semanas, veículos de imprensa norte-americanos relataram redução nos estoques de mísseis de precisão e de baterias de defesa aérea Patriot utilizados durante o conflito com o Irã.
A guerra se aproxima de seis meses e, segundo as informações mais recentes, não há perspectiva clara de encerramento. Ao contrário, as ameaças entre o governo de Donald Trump e o regime iraniano aumentaram nos últimos dias.
Trump voltou a ameaçar medidas contra o Irã e afirmou que poderia adotar ações relacionadas ao Estreito de Ormuz. Teerã, por sua vez, elevou o tom e afirmou que poderia assumir uma postura mais ofensiva caso as negociações com Washington fracassem.
Entre as exigências apresentadas pelo Irã estão o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos, o encerramento das sanções ao petróleo, a liberação de ativos congelados e o fim das operações militares dos EUA. Trump afirmou na terça-feira (18) que não havia negociações em andamento com o governo iraniano.
Fonte: g1

