Governo Trump alega à Justiça ‘segurança nacional’ para barrar acesso de jornalistas à Casa Branca

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos afirmou nesta terça-feira (22) que o presidente Donald Trump tem autoridade para restringir o acesso de jornalistas da CNN, MS NOW e Politico à Casa Branca. A manifestação ocorreu um dia antes de uma audiência marcada pela Justiça para analisar a decisão.
Segundo o departamento, cartas com as justificativas para a medida foram encaminhadas aos veículos na terça-feira. Os documentos citam episódios de cobertura jornalística que, na avaliação da Casa Branca, teriam ameaçado a segurança nacional e divulgado informações falsas.
Os três veículos recorreram à Justiça contra a decisão de Trump, que na semana passada proibiu a entrada de seus jornalistas na residência presidencial e determinou o recolhimento das credenciais. A audiência sobre o caso está marcada para esta quarta-feira (23).
Em documento apresentado ao tribunal, o Departamento de Justiça argumentou que o presidente pode controlar o acesso de repórteres a áreas restritas da residência presidencial, incluindo o Salão Oval.
“O acesso à Casa Branca é um privilégio, não um direito”, afirmou o departamento, repetindo argumento já apresentado por Trump.
As empresas jornalísticas têm até sexta-feira (25) para apresentar objeções às justificativas encaminhadas pelo governo.
Justificativas apresentadas
Uma das cartas, enviada à CNN Internacional, cita uma reportagem sobre os planos de Trump para construir um bunker sob o salão de baile da Ala Leste, que passa por obras. Segundo o governo, a publicação teria revelado detalhes de uma construção considerada “ultrassecreta”.
A emissora também foi questionada por reportagens relacionadas à guerra no Irã, de acordo com as justificativas apresentadas.
A restrição de acesso foi colocada em prática no sábado (19), quando jornalistas dos três veículos tiveram suas credenciais confiscadas.
Na ação conjunta apresentada à Justiça, CNN, MS NOW e Politico pedem a suspensão da medida e argumentam que o veto presidencial viola a liberdade de imprensa prevista na Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
“Esta proibição não poderia ser um ataque mais direto à Primeira Emenda [da Constituição dos EUA], nem uma violação mais flagrante de nossos princípios constitucionais mais fundamentais”, afirmaram os veículos no processo.
O episódio ocorre em meio ao histórico de críticas de Trump à imprensa. O presidente já atacou publicamente jornalistas que fazem críticas ao seu governo e utiliza o termo “inimiga do povo” para se referir à imprensa.
Fonte: g1

