Flávio Dino reintegra Andrei Rodrigues como diretor-geral da Polícia Federal

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF) e de Leandro Almada da Costa ao cargo de diretor de Inteligência Policial da PF. A decisão foi proferida em processo que está sob sigilo.
Os dois haviam sido afastados ontem por liminar do ministro André Mendonça. “Advirto que qualquer resistência ao cumprimento desta ordem poderá caracterizar, conforme o caso, ilícito sujeito às consequências previstas no ordenamento jurídico, sem prejuízo das demais medidas necessárias à preservação da autoridade das decisões desta Corte”, alertou Dino, enfatizando que a decisão submete-se exclusivamente à autoridade do plenário da Corte.
Dino também determinou que não sejam impostas aos Rodrigues e Costa novas medidas cautelares “fundadas exclusivamente em atos praticados no regular exercício de suas atribuições funcionais, em cumprimento a determinações judiciais”. “Ficam ressalvadas eventuais apurações disciplinares, de competência dos respectivos superiores hierárquicos, se for o caso, observados, em qualquer hipótese, o devido processo legal, as regras de competência e a legitimidade para a formulação do correspondente requerimento”, afirmou o ministro.
O delegado, que tem mais de 20 anos de atuação e já foi chefe da segurança da ex-presidente Dilma Rousseff, não passou 24 horas afastado do cargo.
Afastamento, julgamento e ausência
O afastamento, determinado ontem pelo ministro André Mendonça, foi votado às pressas pela 2ª Turma do STF. Em julgamento virtual, Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux votaram pela saída temporária de Rodrigues. Gilmar Mendes, também integrante do grupo, pediu vista, o que apenas adiou a conclusão da análise do tema.
O afastamento de Rodrigues pegou a cúpula da PF de surpresa. O diretor acabou desistindo de participar de um evento da Corporação e escalou para substituí-lo o número 2 da PF, o diretor-executivo William Murad, que fez uma defesa do trabalho da corporação e disse que o diretor-geral tinha a “total confiança” da equipe.
Andrei Rodrigues: o alvo de Mendonça
O pedido de afastamento para Andrei Rodrigues foi baseado na “superlativa gravidade e ilicitude na produção de relatórios de inteligência pela Polícia Federal”.
O nome de Andrei Rodrigues começou a ganhar visibilidade na semana passada, após Mendonça retirar o sigilo de relatórios da PF, que expunham supostas mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do caso Master. Entre as mensagens, Vorcaro também teria pedido intervenção junto a Andrei Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Andrei Rodrigues, de 55 anos, é delegado da Polícia Federal há mais de 20 anos e foi nomeado no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023.
Contexto da crise no STF
A situação agravou a crise institucional no Supremo. O ministro Edson Fachin, presidente do STF, aguarda explicações de Mendonça e Moraes para decidir se leva o conflito ao plenário. A escalada da crise no STF iniciou com a retirada o sigilo de relatórios da PF por Mendonça, há uma semana.
Como resposta à ação, o próprio Moraes, por sua vez, solicitou a investigação de Mendonça por abuso de autoridade. Já Andrei Rodrigues havia afirmado anteriormente que a PF age com isenção e que “jamais houve direcionamento de qualquer atuação”.
Dentro desse contexto, Mendonça afirma que Andrei Rodrigues, como diretor da PF, encaminhou a Moraes ao menos seis “relatórios de inteligência” produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.

