
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico. No entanto, apresentou uma lista com 18 condições para a medida, incluindo pedidos de acesso a informações sobre familiares do petista, integrantes do governo e gastos da Presidência.
O documento foi anexado a um procedimento apresentado pelo PT ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio também solicitou que a Corte intime Lula a se manifestar sobre as condições e apresente os termos individuais de autorização para a abertura dos sigilos.
“Não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências”, declarou o candidato do PL durante encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.
Entre as exigências, Flávio pediu a quebra do sigilo telefônico de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo o senador, como o presidente não utiliza telefone celular, as ligações destinadas a ele passam por pessoas próximas.
“Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola”, afirmou.
O candidato também cobrou informações sobre o patrimônio de familiares do presidente, as atividades do Instituto Lula, os registros de visitantes do Palácio da Alvorada e os gastos do cartão corporativo da Presidência. Ao abordar o tema, mencionou a primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja.
“Lula, você vai tirar o sigilo que você botou em quem visitou o Alvorada?”, questionou.
Confira as 18 condições apresentadas por Flávio Bolsonaro
Entre os pedidos apresentados pelo senador estão:
- Empresas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha: quebra dos sigilos bancários desde 2003, incluindo os da mulher dele, Renata de Abreu Moreira, e de empresas nacionais ligadas ao filho do presidente, além de sociedades offshore.
- Empresas de outros filhos de Lula: informações sobre empresas vinculadas a Sandro Luís, Marcos Cláudio e Luís Cláudio Lula da Silva, além de Lurian Cordeiro Lula da Silva.
- Empresas de Fernando Bittar: acesso a informações sobre empresas do sócio de Lulinha.
- Instituto Lula: quebra de sigilo do instituto e de Paulo Okamotto, que presidiu a entidade por anos.
- Visitas a Daniel Vorcaro: registros de visitas ao banqueiro durante sua custódia na Polícia Federal.
- Aeronave atribuída a Vorcaro: planos de voo e relação de passageiros na semana de sua prisão, em novembro de 2025.
- Encontro com Lula: identificação dos participantes e registros da reunião entre o presidente e o banqueiro, realizada em 4 de dezembro de 2024.
- Acessos a palácios presidenciais: registros de entrada de Vorcaro e de seus intermediários nos palácios do Planalto e da Alvorada.
- Guido Mantega e Augusto Lima: registros de entrada no Palácio do Planalto.
- João Vaccari Neto: quebra dos sigilos do ex-tesoureiro do PT.
- Roberta Luchsinger: registros de visitas ao Planalto e ao Alvorada, voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e reuniões em órgãos federais.
- Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola: quebra dos sigilos do ex-chefe de gabinete de Lula.
- Frei Chico e Sindnapi: quebra dos sigilos do irmão do presidente e do sindicato citado no pedido em meio às investigações sobre fraudes no INSS.
- Cartão corporativo da Presidência: divulgação dos gastos desde janeiro de 2023.
- Agenda de Janja e visitas de familiares: informações sobre a agenda da primeira-dama, visitas dos filhos do presidente, uso de helicópteros e gastos do Palácio da Alvorada.
Lula apresentou autorização ao TSE na terça-feira
A manifestação de Flávio ocorreu um dia depois de a campanha de Lula protocolar no TSE uma autorização para a divulgação dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus familiares. A medida, porém, foi condicionada à concordância do adversário em fazer o mesmo em relação a si e à própria família.
O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação das informações em uma plataforma de acesso público. A petição apresentada contém a autorização formal, mas não inclui os dados bancários, fiscais e telefônicos.
Lula lançou o desafio durante o debate entre os dois candidatos realizado pela Band no domingo (18). Na terça-feira (20), voltou a cobrar a medida e afirmou que Flávio só poderia participar do debate da TV Globo caso apresentasse o documento autorizando a abertura dos sigilos.

