Feminicídios batem recorde no Brasil, e RS registra aumento de 9,5% em 2025

O Brasil registrou 1.571 feminicídios em 2025, o maior número da série histórica iniciada em 2016, quando foram contabilizados 929 casos. A alta em relação a 2024 foi de 4%. No Rio Grande do Sul, foram 80 vítimas, contra 73 no ano anterior, resultando em um crescimento de 9,5%. Os dados constam da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).
Em comparação com 2026, o estado já contabiliza 41 ocorrências de feminicídio entre janeiro e junho, metade do total registrado ao longo de todo o ano passado.
Os números em 2025
Brasil: 1.571 feminicídios, alta de 4%
Rio Grande do Sul: 80 vítimas, alta de 9,5%
Paraná: 87 vítimas, queda de 20,7%
Santa Catarina: 53 vítimas, alta de 2,3%
Taxa nacional: 1,4 por 100 mil mulheres, mesmo patamar do RS
Enquanto os feminicídios aumentaram, o total de homicídios de mulheres (incluindo feminicídios) recuou 5,5% no país, para 3.539 vítimas. No Rio Grande do Sul, a queda foi de 17,9%, de 202 para 166 mortes.
Pelo Código Penal, feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões da condição de ser mulher. A lei enquadra nessa classificação os crimes que envolvem violência doméstica e familiar e os cometidos por menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Os demais assassinatos de mulheres seguem registrados como homicídio comum.
O Anuário aponta que o recuo se concentra nos assassinatos de mulheres ligados a contextos de criminalidade urbana, como disputas territoriais e mercados ilícitos, a mesma dinâmica que ajuda a explicar a queda das mortes violentas no país. Já a violência letal cometida dentro de casa, por pessoas que as vítimas conheciam, não diminuiu. Segundo o levantamento, “é a violência que permanece mesmo quando a outra recua”.
A proporção de feminicídios entre os homicídios femininos gaúchos saltou de 36,1% para 48,2% em um ano, acima da média nacional, de 44,4%.
É importante ressaltar que a classificação depende também das práticas de investigação e registro de cada polícia estadual. Em Acre, Distrito Federal e Sergipe, a proporção se aproxima de 70%. No Ceará, fica em 15,8%.
Fonte: Correio do Povo

