Falas portuguesas, significados diferentes
Há pessoas falantes em português que possuem diferentes tratamentos sociais, umas timbradas com palavras de excelência e outras com palavras comuns, quando não com palavras de gírias ou pejorativas, cujas palavras externam significados diferentes ou, em vice-versa, os mesmos significados são ditos com palavras diferentes. A propósito, no parágrafo abaixo, Flávio Alcaraz Gomes na crônica Ricos & Pobres publicada no sábado de 25 de setembro de 2004, na página 4 do Correio do Povo, oferece, tirados da Internet, quatorze casos diferentes de significados de palavras ou expressões usadas para pessoas quando ricas e quando pobres.
Rico com uniforme é coronel. Pobre com uniforme é porteiro. Rico com pistola é precavido. Pobre com pistola é assaltante. Rico com unhas pintadas é playboy. Pobre com unhas pintadas é boiola. Rico com chofer é milionário. Pobre com chofer é preso. Rico é inadimplente. Pobre é caloteiro. Rico é obeso. Pobre é gordo. Rico correndo é esportista. Pobre correndo é ladrão. Rico vestido de branco é doutor. Pobre vestido de branco é sorveteiro. Rico que rouba é cleptomaníaco. Pobre que rouba é ladrão. Rico pede concordata. Pobre quebra. Rico é dependente químico. Pobre é boletero. Rico é voyeur. Pobre é tarado mesmo. Rico com sandálias é turista. Pobre é traficante. Rico sofre indisposição intestinal. Pobre tem caganeira.
Posto isso, entre as muitas coisas mais a dizer em termos de significados de palavras na língua portuguesa, além desses quatorze dizeres acima, pode-se dizer que Flávio, grande cidadão judeu, cronista, repórter, comunicador, cobriu pela Rádio Guaíba os seis dias de guerra de Israel no Oriente Médio em 1977 e manteve em anos no Correio do Povo, aos sábados, na página 4, a publicação das crônicas, sempre curtas e invejáveis na clareza e precisão, servindo aos leitores para uma ou outra reflexão e proveito. O estilo de escrever dele pode ser usado por aqueles que nos trabalhos de jornais e rádios – também noutros espaços – se assim o desejarem. Um estilo assim diz no geral um oceano de ideias num deserto de palavras.
Assim, em comunicação – em ação de tornar comum a comunicação, um para um, um com outro ou mais – nada impede que nos casos de necessidade possam ser usadas palavras em nível culto [coronel], em nível popular [caloteiro], em nível estrangeiro [playboy], em nível de gíria e vulgar [boletero] e em nível calão [caganeira]. Aliás, uma palavra de calão como essa última pode ser usada no campo biológico e também, se e quando preciso, noutros campos, até mesmo no político, como, por exemplo, a que, misturada com catinga de ódio, vem inundando o solo pátrio, inclusive o missioneiro, de 25 de outubro de 2026 para cá.

