Eleição no Legislativo já está na pauta

Tradicionalmente reservada para a última sessão ordinária do ano, a eleição para a Mesa Diretora do Legislativo da Capital das Missões já deixou de ser um assunto de bastidores para pautar as articulações públicas. Por enquanto, as conversações avançam com aquela timidez protocolar típica de quem estuda o terreno, mas as peças do tabuleiro já estão em pleno movimento.
O cenário de largada desenha dois caminhos. O primeiro deles aposta na lógica da continuidade: a manutenção do bloco governista que conduziu o atual presidente, Vando Ribeiro (PSDB), ao cargo. Sob essa ótica, o nome natural para a sucessão seria o do atual vice-presidente, Carlos Gromoski (PL).
Contudo, se há uma máxima infalível na política santo-angelense, é a de que certezas absolutas evaporam. Movimentos recentes de bastidores já sinalizam uma rota alternativa surpreendente: a possibilidade de reeleição do próprio Vando Ribeiro para mais um mandato.
O dado mais intrigante dessa segunda hipótese é que ela pode ganhar vida sem depender necessariamente do bloco que garantiu a vitória de Vando no início do ano. Uma costura política paralela, mais ampla começa a ser alinhavada nos bastidores.
A eleição da Mesa Diretora de Santo Ângelo reforça que o parlamento local é um organismo vivo e imprevisível. Até a última sessão do ano, o roteiro continua aberto, provando que, na Capital das Missões, a única certeza é a de que as cartas ainda estão sendo distribuídas e nem sempre quem joga de mão tem vantagem.
Vale lembrar que na eleição para este mandato, Vando tinha a opção de escolher se seria eleito pelo bloco da situação ou da oposição.
Começou a corrida pelos cargos regionais
Enquanto as atenções do País se voltam para o desfecho da eleição presidencial neste domingo, no âmbito estadual as cartas foram distribuídas e o jogo foi liquidado logo no primeiro turno, no dia 4.
Com a definição antecipada do cenário no Estado, o foco das lideranças políticas locais mudou rapidamente de direção. Começou a temporada de especulações, articulações de bastidores e, claro, uma disputa ferrenha pelos cobiçados cargos regionais.
As coordenadorias e cargos alinhados são os alvos dessa nova corrida. Os candidatos a essas vagas já estão em pleno campo de jogo, mapeando influências, costurando apoios partidários e submetendo seus “padrinhos políticos” a uma forte e constante pressão. Afinal, no xadrez do poder, a indicação para um cargo estratégico regional é a garantia de sobrevivência e projeção para os próximos anos.
O grande drama desse processo, contudo, reside na matemática implacável da política. Como historicamente acontece, a conta simplesmente não fecha: não há vagas suficientes para acomodar a imensa lista de pretendentes, aliados e cabos eleitorais que cobram a fatura do empenho nas urnas.
Essa escassez de cadeiras para o tamanho da demanda gera um efeito colateral inevitável, produzindo mais descontentamento do que satisfação.
Nas próximas semanas, a habilidade dos líderes partidários em gerenciar esses egos e acomodar as bancadas será testada ao limite, provando que governar o interior exige tanta diplomacia quanto vencer a própria eleção.
O falso dilema da segurança pública
Um dos principais tópicos do debate eleitoral é a segurança pública. De um lado, há quem defenda que a criminalidade se resolve exclusivamente com o fortalecimento das polícias e o endurecimento das penas. Do outro, correntes que sustentam que apenas o investimento social, a educação e a geração de oportunidades são capazes de esvaziar as fileiras do crime.
O erro é acreditar que somente um caminho resolve. Não dá para scolher entre prevenção e repressão. As duas ações são necessárias.
Oferecer apenas uma metade dessa resposta é o mesmo que deixar a outra metade à inteira disposição das organizações criminosas. Tratar a segurança apenas pela ótica social é ignorar a urgência das vítimas e o poder de asfixia que o crime organizado exerce sobre o Estado hoje.
Por sua vez, apostar unicamente no confronto sem mexer nas estruturas que alimentam a vulnerabilidade social é enxugar gelo, combatendo os sintomas enquanto a doença continua a se proliferar.
Perguntar não ofende
Diante da forte polarização que divide o País, o resultado das urnas neste domingo será capaz de pacificar a nação ou apenas dará início a um novo capítulo de instabilidade política?
Só para lembrar
A baderna e o abuso da barulheira das motocicletas está novamente ficando fora de controle na área central. Esperar eficácia da fiscalização é o que nos resta.
Para refletir
“Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas a tempo.”
Winston Churchill

