
O Brasil colheu, na safra 2025/26, a maior produção de maçã de sua história, alcançando aproximadamente 1,6 milhão de toneladas. O volume é quase o dobro do registrado nas duas temporadas anteriores, que ficaram em torno de 850 mil toneladas, e supera o recorde anterior, de 1,3 milhão de toneladas, alcançado em 2017. Os dados são da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), divulgados às vésperas do Dia Internacional da Maçã, celebrado em 21 de outubro.
“A safra 2025/26 foi a maior da nossa história, com um volume expressivo de produção e frutos de excelente qualidade. Esse resultado demonstra o potencial da cadeia brasileira da maçã, que reúne tecnologia de ponta, elevado conhecimento técnico e capacidade de produzir frutos de alta qualidade”, afirma o diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque.
O Rio Grande do Sul colheu aproximadamente 710 mil toneladas, o equivalente a 44,4% da produção nacional, em cerca de 44% da área plantada no país. Santa Catarina permanece na liderança em volume, com aproximadamente 830 mil toneladas e 52% da área cultivada. O Paraná produziu cerca de 50 mil toneladas, em 3% da área, enquanto São Paulo e Minas Gerais respondem pelo restante.
As exportações brasileiras de maçã alcançaram 48,6 mil toneladas em 2026, ante 13 mil toneladas em 2025. As vendas externas somaram US$ 49,6 milhões. O Rio Grande do Sul embarcou 38,7 mil toneladas, seguido por Santa Catarina, com 9,6 mil toneladas, e pelo Paraná, com 56 toneladas.
Em 2026, a maçã brasileira chegou a mais de 25 países. A Índia foi o principal destino, com 18,1 mil toneladas, seguida pela Arábia Saudita, com 10,1 mil toneladas. Rússia, Portugal e Irlanda também figuraram entre os principais mercados compradores.
A ABPM projetava exportações de 100 mil toneladas neste ciclo. O volume efetivamente embarcado ficou abaixo da expectativa em razão de obstáculos comerciais e logísticos associados ao conflito no Oriente Médio.
“Tínhamos um potencial para alcançar um volume muito maior de exportação, mas o conflito no Oriente Médio limitou as vendas para aquela região, provocou uma sobreoferta em outros mercados e dificultou a logística para praticamente todos os destinos”, explica Albuquerque.
A supersafra ampliou a disponibilidade da fruta no mercado nacional e contribuiu para a redução dos preços ao consumidor, tornando a maçã brasileira ainda mais acessível às famílias. O cenário reforça a importância da produção nacional para o abastecimento interno, garantindo aos brasileiros maior acesso a uma fruta nutritiva, versátil e de ótima qualidade.
Ao mesmo tempo, diante do atual cenário de elevada capacidade produtiva, a ampliação das exportações torna-se ainda mais necessária. Nesse contexto, a abertura de novos mercados estratégicos, como México e Malásia, é fundamental para ampliar as oportunidades comerciais, diversificar os destinos da maçã brasileira e contribuir para o equilíbrio do mercado nacional.
Para o ciclo 2026/27, ainda é cedo para fazer projeções definitivas. As condições observadas até agora são positivas, mas o resultado dependerá da evolução das próximas etapas do ciclo produtivo.
“O inverno foi de ótima qualidade e a florada foi abundante, o que trouxe uma perspectiva positiva para a próxima safra. Ainda temos etapas importantes pela frente até o início da colheita das variedades Gala e Fuji, previsto para o começo de 2027. Estamos confiantes na perspectiva de uma safra equilibrada em volume e de excelente qualidade”, afirma Albuquerque.

