Polícia Militar aponta envolvimento de outros dois PMs em morte de homem algemado no RS

Investigação da Brigada Militar concluiu que outros dois policiais militares tiveram participação na morte de Geovane Matias Maciel, baleado durante uma abordagem em Bom Jesus, na Serra gaúcha, em março de 2025, quando já estava algemado.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo que mostra o soldado Emerson Brião atirando contra Geovane já imobilizado. Até então, Brião era o único denunciado por homicídio.
Segundo o Inquérito Policial Militar (IPM), o sargento André Remonti e o soldado Jeremias Pezzi Paim também teriam responsabilidade no caso por omissão, já que não impediram a ação que resultou na morte do homem. Já o quarto policial presente na ocorrência, soldado Bruno Moojen Souza Ramos, não foi apontado como participante direto do homicídio, mas acabou indiciado por falso testemunho e abuso de autoridade.
A investigação interna também apontou que Geovane teria sido atraído até o local da abordagem. Conforme o IPM, o soldado Brião trocou mensagens com a vítima por WhatsApp, fingindo ser integrante de uma facção criminosa interessada em ajudá-lo. Geovane estava foragido e tinha prisão decretada por suspeita de incendiar a casa da ex-companheira.
Outro ponto levantado pela Brigada Militar é que a faca apresentada pelos policiais como justificativa para os disparos teria sido “plantada” no local da ocorrência. Inicialmente, os PMs alegaram que Geovane reagiu à abordagem armado com uma faca e que os tiros teriam sido em legítima defesa.
Na época, o caso foi registrado como morte decorrente de oposição à intervenção policial, versão mantida no primeiro inquérito da Polícia Civil. Porém, após o vídeo chegar anonimamente ao Ministério Público, uma nova investigação foi aberta.
Em julho do ano passado, a Polícia Civil indiciou Emerson Brião por homicídio e fraude processual. Os outros três policiais foram indiciados por prevaricação e fraude processual.
Após a conclusão do IPM, a Brigada Militar determinou a abertura de Conselho de Disciplina contra os três PMs apontados como responsáveis pelo homicídio. Os quatro seguem afastados das funções.

