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SANTO ÂNGELO
01 de outubro de 2026
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Economia

Beneficiários do Bolsa Família ocupam 85% das vagas formais criadas desde 2023, aponta FGV

  • outubro 1, 2026
  • 3 min read
Beneficiários do Bolsa Família ocupam 85% das vagas formais criadas desde 2023, aponta FGV

Oito em cada dez novos postos de trabalho com carteira assinada criados no Brasil desde 2023 foram ocupados por pessoas que recebiam o Bolsa Família. O dado é de um estudo do Centro de Estudos Empíricos em Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta quarta-feira.

Entre janeiro de 2023 e julho de 2026, o mercado formal brasileiro registrou saldo positivo de 5,38 milhões de vagas, considerando a diferença entre admissões e desligamentos. Desse total, 4,58 milhões, o equivalente a 85,18%, estavam associados a trabalhadores que recebiam o benefício.

O levantamento foi feito a partir do cruzamento de informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Caged, com dados do Bolsa Família e do Cadastro Único. Segundo os pesquisadores, outros 1,26 milhão de trabalhadores estavam inscritos no CadÚnico, mas não recebiam o benefício.

Já entre as pessoas que não estavam cadastradas no CadÚnico, o saldo foi negativo em 460,6 mil vagas no período. De acordo com um dos autores do estudo, esse resultado pode estar relacionado ao aquecimento do mercado de trabalho, que permite maior mobilidade entre trabalhadores que deixam um emprego para buscar outra oportunidade.

O perfil dos beneficiários que conseguiram empregos formais é majoritariamente jovem, feminino e com ensino médio completo. Pessoas entre 18 e 24 anos representaram 40,52% do saldo, enquanto a faixa de 30 a 39 anos correspondeu a 20,97%.

Os trabalhadores pardos concentraram 62,71% das vagas, seguidos pelos brancos, com 27,32%, e pelos pretos, com 8,81%. As mulheres responderam por 55,4% do saldo de empregos entre os beneficiários, contra 44,6% dos homens. Já 78,24% tinham ensino médio completo.

Pernambuco entre os estados com saldo negativo fora do Bolsa Família

Entre os estados, Pernambuco está entre as unidades da Federação onde o saldo de empregos formais de trabalhadores que não recebem o Bolsa Família foi negativo. Também aparecem nessa situação Maranhão, Alagoas, Ceará, Bahia, Pará, Rio Grande do Norte, Acre e Sergipe.

Nesses estados, o número de vagas ocupadas por beneficiários foi superior ao saldo total de empregos, porque esse grupo compensou as perdas registradas entre os trabalhadores que não recebem o programa. Por esse motivo, a participação dos beneficiários ultrapassou 100% em alguns locais.

Sergipe registrou participação de 104,04%, enquanto no Maranhão o percentual chegou a 117,42%. Na Paraíba, a participação foi de 98,30%; no Piauí, 96,04%; e em Minas Gerais, 95,22%.

O estudo ressalta que os números não permitem identificar por quanto tempo os trabalhadores permaneceram no Bolsa Família ou no CadÚnico. Também não é possível determinar se o trabalhador empregado era o titular do benefício.

Os pesquisadores destacam ainda que a entrada no mercado formal não significa necessariamente a saída imediata do programa. A chamada Regra de Proteção permite que famílias que aumentam a renda por meio do trabalho continuem recebendo parte do benefício, desde que atendam aos critérios estabelecidos pelo programa.

Para os autores, a formalização representa uma porta de entrada para o mercado de trabalho, mas os dados também mostram a necessidade de ampliar a oferta de empregos com melhores salários e condições. O estudo aponta que a geração de postos de maior qualidade depende de outras políticas públicas, além dos programas de transferência de renda.

Fonte: O GLOBO 

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Lara Santos

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