Aumento da mistura de etanol na gasolina é adiado em meio à alta do petróleo

A escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã voltou a impactar o mercado internacional nesta quarta-feira (8). Após novos ataques entre os dois países e a declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, de que a trégua com o Irã havia chegado ao fim, o preço do petróleo registrou alta de cerca de 5%.
Diante do cenário, o governo federal adiou a reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que decidiria sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina. A proposta prevê elevar o percentual de 30% para 32%, formando a chamada gasolina E32.
A medida faz parte da estratégia do governo para reduzir a dependência do petróleo importado e diminuir o custo dos combustíveis ao consumidor. Em 2025, a mistura já havia sido ampliada de 27% para 30%.
Especialistas avaliam que o aumento da participação do etanol pode contribuir para uma leve redução no preço da gasolina, desde que o biocombustível continue mais barato que a gasolina pura. No entanto, o impacto nas bombas deve ser limitado, já que fatores como o preço do petróleo, o câmbio, impostos e a política de preços também influenciam o valor final.
No Rio Grande do Sul, o etanol ainda apresenta menor competitividade em relação a outros estados, principalmente porque a maior parte do produto é importada de São Paulo e do Paraná. Ainda assim, o Estado tem ampliado investimentos na produção de etanol a partir de cereais, como trigo e arroz, fortalecendo sua participação na transição energética.
Além dos possíveis reflexos para os consumidores, o aumento da mistura também deve estimular a produção nacional de etanol, ampliando a demanda pelo biocombustível e incentivando novos investimentos no setor.

