Associação alerta para mortandade de abelhas

A preservação das abelhas e os impactos da sua recente mortandade na região centralizaram as discussões da reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário de Santo Ângelo (Comdasa), realizada na tarde da última quarta-feira. Representantes da Associação de Apicultores de Santo Ângelo (Apisa) manifestaram preocupação com a perda significativa de colmeias no município.
O presidente da Apisa, Vladimir Reis, e o vice-presidente, Adalto Carvalho, apresentaram o cenário crítico aos conselheiros. Diante do relato, o presidente do Comdasa, Reinaldo Machado, solicitou um levantamento detalhado de dados quantitativos para entender a real dimensão das perdas em solo santo-angelense.
DEBATE NA FEAAGRI MISSÕES
Como estratégia para enfrentar o problema, foi proposto ao vice-presidente da Feaagri Missões, Diomar Lino Formenton, que a feira sedie um encontro especializado do setor apícola. O objetivo é promover um debate técnico sobre as causas e soluções para a mortandade das abelhas. A proposta foi bem recebida e será encaminhada para a direção da feira.
Além da apicultura, a reunião abordou temas cruciais para o planejamento agrícola da safra, como a preocupação com as previsões que confirmam a chegada do fenômeno El Niño ainda este ano e seus possíveis impactos nas culturas locais e discussões sobre o andamento e acesso a projetos de crédito para produtores.
Razões da preocupação
A morte das abelhas é um problema global e extremamente preocupante porque elas são os principais agentes de polinização, essenciais para a produção de alimentos e a manutenção da biodiversidade. O declínio drástico em suas populações, frequentemente ligado ao uso intenso de agrotóxicos, traz riscos graves à segurança alimentar e ao equilíbrio ecológico.
Cerca de 75% das culturas agrícolas mundiais dependem, em algum grau, da polinização para produzir frutos e sementes. Culturas importantes como café, maçãs, amêndoas e tomates dependem diretamente das abelhas. Sem elas, haveria uma diminuição drástica na oferta de alimentos, tornando-os mais raros e caros.
As abelhas são responsáveis pela reprodução de uma grande parte das plantas silvestres. A falta de polinização afeta a cadeia alimentar completa, desde a redução da produção de frutos até a diminuição da área verde, impactando herbívoros e, consequentemente, carnívoros.
A mortalidade das abelhas gera prejuízos incalculáveis para apicultores, com colmeias inteiras contaminadas por agrotóxicos. A produção de mel, própolis e geleia real também é diretamente afetada, reduzindo a renda de pequenos e grandes produtores.
O uso incorreto de defensivos agrícolas (especialmente neonicotinóides e fipronil) tem efeito sistêmico, contaminando o pólen e o néctar, o que mata as abelhas e, às vezes, colônias inteiras.
A perda de insetos polinizadores, como as abelhas, é um sinal claro de desequilíbrio ambiental, exigindo a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.

