Alexandre Pires é alvo de operação da PF que investiga esquema de venda ilegal de cassiterita

A ação, batizada de Operação Disco de Ouro II, também tem como alvos os empresários Diego Possebon e Matheus Possebon, que já foi empresário do cantor. A PF cumpre 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens judiciais para sequestro de bens e valores. As medidas foram autorizadas pela 4ª Vara da Justiça Federal em Boa Vista. Não há mandados de prisão.
Segundo a investigação, Alexandre Pires e a empresa ligada ao cantor foram incluídos no chamado Núcleo Financeiro da organização. Os investigadores apontam que Matheus Possebon era empresário do artista e que seu irmão, Diego, seria o líder e operador central do grupo.
A PF afirma que a empresa de Alexandre Pires recebeu R$ 4,43 milhões de contas relacionadas ao esquema. O fluxo financeiro identificado na investigação chega a R$ 31 milhões.
De acordo com os investigadores, os valores teriam sido fracionados, ocultados e dissimulados por meio de diferentes operações financeiras. A investigação apura ainda o uso de empresas, familiares, conhecidos e intermediários para movimentar recursos.
A defesa de Alexandre Pires afirmou que o cantor nunca teve envolvimento com garimpo ou extração de minério, inclusive em terras indígenas. Segundo os advogados, ele foi surpreendido pelos novos desdobramentos da operação e “jamais cometeu qualquer ilícito”. A defesa dos demais citados ainda não havia sido localizada.
Investigação aponta fraude na comercialização de cassiterita
Segundo a PF, o grupo investigado atuava na extração e comercialização ilegal de cassiterita, minério utilizado na produção de estanho. Os investigadores afirmam que licenças de lavra garimpeira de Itaituba, no Pará, eram usadas para simular uma origem legal para o material retirado da Terra Indígena Yanomami.
Durante ações anteriores em Roraima, a Polícia Federal apreendeu mais de 100 toneladas de cassiterita e cerca de 1 quilo de ouro na sede de uma empresa investigada por suspeita de garimpo ilegal.
Ainda segundo a investigação, após a apreensão do minério, o grupo teria buscado uma alternativa para manter pagamentos antecipados relacionados a um contrato internacional com uma empresa suíça.
A suspeita é de que os investigados tenham utilizado armazéns em Manaus para simular a existência da mercadoria e enviado areia e pó de brita acompanhados de laudos químicos falsificados. O prejuízo estimado pela investigação é de US$ 48 milhões, aproximadamente R$ 247 milhões.
Os investigadores também apontam que recursos eram enviados ao exterior e posteriormente redistribuídos no Brasil por meio de operações de dólar-cabo e contratos considerados fictícios.
Segunda fase da operação
A Operação Disco de Ouro II é um desdobramento da primeira fase da investigação, deflagrada em 2023 para apurar crimes relacionados à comercialização e exportação de minério.
Entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituição financeira. A responsabilização de cada investigado dependerá do avanço das apurações e da participação atribuída individualmente pela investigação.
Nota de Alexandre Pires
Na qualidade de advogado do cantor e compositor Alexandre Pires, eu, Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso, venho a público, diante das notícias veiculadas pela mídia em geral, esclarecer que o cantor Alexandre Pires não tem e nunca teve qualquer envolvimento com garimpo ou extração de minério, muito menos em área indígena.
Destaco que o referido cantor e compositor é uma das mais importantes referências da música brasileira, sendo possuidor de uma longa e impecável carreira artística.
Alexandre Pires foi tomado de surpresa diante dos novos desdobramentos da operação da Polícia Federal que indevidamente envolveu seu nome.Por fim, saliento que o cantor e compositor Alexandre Pires jamais cometeu qualquer ilícito, o que já está sendo devidamente demonstrado no curso das investigações, reiterando sua confiança na Justiça brasileira.
Fonte: g1

