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SANTO ÂNGELO
23 de maio de 2026
Rádio AO VIVO
Opinião

Teorema da Felicidade

  • maio 23, 2026
  • 2 min read

Estudava matemática com minha filha. Na mesa, entre lápis, canetas e folhas repletas de cálculos, reapareceram velhos fantasmas escolares: função, produto cartesiano, teoria dos conjuntos, etc.

Na singularidade do momento, enquanto Valentina tentava entender como dois elementos podem se relacionar num gráfico, percebi que talvez a felicidade também seja uma equação que se resolve ao longo da vida.

A matemática sempre perseguiu o infinito. E talvez a felicidade more não exatamente no resultado inteiro, mas nas casas depois da vírgula, na descoberta do “x” ou do “y”.

Se ninguém é feliz de forma absoluta, seria a felicidade um número irreal?

A felicidade pode aparecer em frações discretas, até mesmo na variável da ansiedade que determinará o resultado da prova no dia seguinte.

Imagino como os grandes matemáticos tentariam explicar a felicidade. Arquimedes talvez dissesse que ela depende do equilíbrio entre mergulhar na vida e não se deixar afundar pelos próprios pesos. Newton lembraria que toda felicidade exerce uma força sobre nós.

Há pessoas que vivem procurando a fórmula definitiva, como se a vida pudesse caber numa expressão algébrica. Mas talvez a felicidade pertença ao campo da probabilidade.

Os conjuntos ajudam a entender isso. Existe o conjunto das conquistas, o das perdas, o dos medos, o das lembranças. A felicidade não está em um deles isoladamente, mas na interseção improvável entre todos.

Já o produto cartesiano da vida multiplica possibilidades o tempo todo. Cada escolha se cruza com outra, criando combinações infinitas: encontros que quase aconteceram, palavras interrompidas no meio do caminho, sonhos que passaram muito perto da nossa trajetória, mas seguiram em outra direção.

Não sei ao certo se os cálculos e a revisão da matéria contribuíram para a prova de matemática, mas acho que, sem perceber, no silêncio noturno, construímos um singelo teorema da felicidade, algo bem simples, f = x + y, para ser somado na ternura dos dedinhos de uma criança.

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Andrey Régis de Melo

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