Vocativo, elipse e parêntese
Assunto de hoje é sobre vírgula no vocativo, na elipse do verbo ser e no parêntese. Vocativo vem do verbo latino vocare e significa chamar. Chamar subentende dois elementos: falante e ouvinte. Falante chama um ouvinte. São no geral pessoas humanas. Podem ser também coisas. Quando coisas, o vocativo é usado mais na literatura de ficção e de poesia. Posições? Três. Pode iniciar ou terminar a frase ou estar dentro da frase. Iniciando-a, uma vírgula: Humanidade, creia em Deus. Finalizando-a, uma vírgula: Creia em Deus, humanidade. Dentro da frase, duas vírgulas: Creia, humanidade, em Deus. Vale este tríplice reforço de fixação: Portugueses invasores, esta terra tem dono! Esta terra tem dono, portugueses invasores! Esta terra, portugueses invasores, tem dono! Notar que as frases declarativas com vocativos, ditas em tom normal, terminam com ponto final. As exclamativas, aquelas ditas com vocativos que exprimem exclamação, ênfase, terminam com ponto de exclamação.
Elipse? Vem do grego élleipsis e significa omissão. Omissão de uma palavra ou mais na frase. É feita com intuito de ênfases ou de diminuição de palavras na frase. É de fácil identificação. Um exemplo de frase com uso do verbo ser: Conflitos bélicos são hoje uns dos piores perigos na humanidade. A mesma frase com elipse do verbo ser: Conflitos bélicos, hoje uns dos piores perigos na humanidade. Havendo elipse do verbo ser na frase, a vírgula no lugar da elipse é obrigatória. Síntese? A vírgula empregada no lugar do verbo ser em elipse tem caráter enfático, ou seja, pode a vírgula ser empregada enfaticamente em lugar do verbo ser em orações de fácil compreensão: Estes, os maiores perigos.
E parêntese? Introduzindo-se num período um parêntese em lugar onde haja vírgula, esta se coloca depois de fechado o parêntese, uma vez que este sempre esclarece o que ficou antes da vírgula e não o que vem depois dela. Estava o colega em casa (pouco prazer sentia fora dela), quando ouviu baterem à porta. Importante e gramatical é observar que a vírgula não vai antes do primeiro parêntese, mas depois e só depois do segundo parêntese. Há gente, inclusive com faculdade pronta, que põe vírgula antes do parêntese. Antes do parêntese, como dito antes, não vai vírgula de jeito algum.
Assim, esclarece-se ainda que o termo parêntese vem do grego e latim parêntesis, com acento no grego, sem acento no latim. Servem os parênteses para num período separar destacadamente um dado ou mais numa palavra, expressão, frase ou oração com autonomia semântica e sintática. É recomendável usar o plural na forma portuguesa – os parênteses. A forma alatinada – os parêntesis – não é recomendável.