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SANTO ÂNGELO
27 de maro de 2026
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Saúde

Vacinas contra o câncer avançam e Brasil pode participar de testes clínicos

  • março 27, 2026
  • 4 min read
Vacinas contra o câncer avançam e Brasil pode participar de testes clínicos

Pesquisas voltadas ao desenvolvimento de vacinas contra o câncer avançaram significativamente e já contam com candidatos prontos para testes em humanos. Cientistas da Universidade de Oxford avaliam que o Brasil pode integrar esse circuito nos próximos anos, especialmente por meio de parcerias com instituições nacionais.

O tema foi debatido durante um workshop promovido pelo A.C. Camargo Cancer Center, que reuniu pesquisadores, hospitais e representantes do Ministério da Saúde. O encontro teve como foco a construção de colaborações nas áreas de imunoterapia, inteligência artificial e ensaios clínicos.

Entre os projetos mais próximos de chegar à fase de testes em humanos está uma vacina direcionada a tumores associados ao vírus Epstein-Barr (EBV), presente em mais de 90% da população mundial e relacionado a cerca de 200 mil casos de câncer por ano. A pesquisadora Carol Leung, especialista em vacinas terapêuticas contra o câncer em Oxford, afirma que o imunizante já concluiu a fase pré-clínica e deve avançar para estudos com pacientes.

A proposta dos pesquisadores é ampliar os testes em países onde determinados tipos de câncer são mais recorrentes, como o linfoma de Burkitt, registrado em regiões da África e também no Norte do Brasil.

Um dos pontos de destaque é a rapidez no desenvolvimento dessas vacinas. Projetos recentes em Oxford saíram da fase conceitual para a preparação de testes clínicos em cerca de três anos, um prazo considerado curto na oncologia. Esse avanço está relacionado ao uso de plataformas já consolidadas, como as utilizadas nas vacinas contra a Covid-19, aliadas a novas estratégias para estimular o sistema imunológico a reconhecer células tumorais.

Atualmente, diferentes frentes de pesquisa estão em andamento. Entre elas, a LungVax, voltada ao câncer de pulmão e próxima de iniciar testes em humanos; uma vacina contra o vírus Epstein-Barr, já na fase pré-clínica; e estudos voltados à síndrome de Lynch, com foco preventivo em pessoas com alto risco genético. Também há projetos direcionados a câncer de mama, ovário, trato gastrointestinal e mieloma.

As vacinas contra o câncer são desenvolvidas com dois objetivos principais. No campo terapêutico, são aplicadas em pacientes que já possuem a doença, com o intuito de potencializar a resposta do sistema imunológico. Já na abordagem preventiva —ou de interceptação—, o foco está em indivíduos com maior risco, buscando impedir o desenvolvimento do câncer.

O professor de imunologia Tim Elliott, diretor do Centro de Imuno-oncologia de Oxford, destaca o avanço das vacinas de interceptação, pensadas para agir antes mesmo do surgimento da doença em pacientes de alto risco.

Outro eixo central das pesquisas é o uso de inteligência artificial. De acordo com o pesquisador Lennard Lee, modelos computacionais são treinados com dados de diferentes tipos de tumores para identificar quais alvos devem compor as vacinas. A tecnologia pode tornar os imunizantes mais precisos e, no futuro, permitir abordagens personalizadas para cada paciente.

Além dos avanços científicos, o Brasil é visto como estratégico nesse cenário. A cooperação em discussão inclui o uso de biobancos, a realização de ensaios clínicos e o desenvolvimento conjunto de tecnologias. Também há interesse em garantir que essas terapias tenham custo acessível e possam ser implementadas em países de renda média e baixa.

Apesar do cenário promissor, os pesquisadores destacam que os estudos ainda estão em fases iniciais e precisam comprovar eficácia e segurança em humanos. Um dos desafios atuais é que nem todos os pacientes respondem às vacinas —em alguns casos, menos da metade apresenta resposta imunológica satisfatória.

Diferentemente das vacinas tradicionais, que atuam na prevenção de infecções, as vacinas contra o câncer têm como objetivo treinar o sistema imunológico para reconhecer e atacar células tumorais. Para isso, apresentam ao organismo fragmentos do tumor, estimulando a ação de células de defesa, como os linfócitos T.

Com candidatos próximos dos testes clínicos e o apoio de novas tecnologias, a expectativa é que essas vacinas ganhem espaço nos próximos anos, tanto no tratamento quanto na prevenção do câncer.

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Carolina Gomes

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