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SANTO ÂNGELO
02 de abril de 2026
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Estado

Tradição da colheita da marcela enfrenta queda no RS

  • abril 2, 2026
  • 2 min read
Tradição da colheita da marcela enfrenta queda no RS

A tradicional colheita da marcela antes do amanhecer da Sexta-feira Santa tem se tornado cada vez mais difícil no Rio Grande do Sul. Segundo a Emater, moradores e técnicos de diferentes regiões relatam a redução da planta, utilizada tanto como chá medicinal quanto em práticas religiosas.

Nativa da América do Sul, a marcela se desenvolve principalmente em áreas de campo e matagais. A diminuição da espécie está associada ao extrativismo sem manejo adequado, às mudanças climáticas e ao uso de produtos químicos nas lavouras.

De acordo com a assistente técnica da Emater-RS, Doriana Gozi Miotto, a planta apresenta dificuldades naturais de regeneração. As sementes são pequenas e delicadas, o que exige condições específicas para germinação. A retirada sem reposição e as alterações no ambiente comprometem o crescimento da espécie.

Diante do cenário, a orientação é realizar uma colheita consciente. A recomendação inclui retirar apenas parte dos ramos, preservar a base da planta, evitar áreas próximas a rodovias e lavouras e garantir a secagem adequada após a coleta. Também é indicado o plantio de sementes a partir de setembro, como forma de preservação.

Reconhecida desde 2002 como planta medicinal símbolo do Estado, a marcela carrega forte valor cultural. A tradição diz que a colheita ao amanhecer da Sexta-feira Santa, ainda com o orvalho, potencializa suas propriedades.

Moradores que mantêm o costume há décadas relatam mudanças. A aposentada Iraci da Rosa afirma que antecipou a colheita neste ano, mas pretende deixar os ramos no orvalho para manter o significado simbólico.

Já Marina Schneider Coradin, de 74 anos, diz perceber uma queda acentuada na quantidade da planta ao longo dos anos. Segundo ela, a marcela precisa ser colhida ainda jovem e com coloração intensa para preservar suas propriedades.

A tendência, conforme os relatos, é de que a escassez se agrave caso não haja medidas de preservação.

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Carolina Gomes

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