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SANTO ÂNGELO
28 de maro de 2026
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Sem rodeios, promotora deu o recado em nome do cidadão

  • março 28, 2026
  • 6 min read
Sem rodeios, promotora deu o recado em nome do cidadão

A postura da promotora de Justiça Paula Mohr na recente audiência pública para tratar das questões ligadas a Corsan em Santo Ângelo tem chamado a atenção da população. A grande maioria das pessoas comenta que a promotora disse aquilo que o cidadão gostaria de dizer para os representantes da empresa e para os agentes políticos que estavam na Câmara, entendendo que são esses os que podem agir para mudar a situação.

Foi dura e direta, sem rodeios, como deve ser. As situações que envolvem essa relação Corsan/consumidores precisam ser debatidas com ênfase e a cobrança por soluções é legítima. A fala da promotora, pela sua posição, já seria importante, entretanto, quando ela pontua cada um dos problemas, mostrando as contradições da Companhia, as falhas evidenciadas e a pouca resolutividade de suas ações, dá voz a quem espera angustiadamente pela solução.

Não será a fala da promotora que solucionará os problemas, que são variados e, em alguns casos, absurdos. Mas, é a partir do recado de que alguém numa posição importante está muito atento às falhas recorrentes, às contradições e ao pouco interesse demonstrado, que algo pode mudar. Não pensem que o sistema mudará de uma hora para outra e que os prejuízos desaparecerão num passe de mágica. Só a forte mobilização, mostrando força e partindo da cobrança às duas partes, à empresa que tem a concessão e ao poder público municipal, que é o concedente do serviço, pode promover essa alteração com o apoio de quem tem a missão de promover a Justiça e que demonstrou que não abre mão de cumprir o seu papel.

 

Cobrança ao prefeito

A promotora Paula Mohr também teceu críticas ao prefeito Nívio Braz em sua fala. Disse não entender como uma reunião para tratar de assuntos tão importantes –afinal ela listou mais de uma dúzia de problemas a partir da fala dos populares, não contou com a presença do chefe do Executivo.

Disse, também, que nos seus mais de 20 anos atuando em Santo Ângelo, sempre que ocorreram problemas envolvendo a Corsan, foi convocada pelo Município para a busca de soluções e, desta vez, mesmo com tantas questões, não foi procurada pela administração municipal.

É preciso ser justo e lembrar que no mesmo horário estava ocorrendo a assembleia de eleição da nova diretoria da Associação dos Municípios das Missões (AMM), onde estava o prefeito. No entanto, como disse a promotora, o vice Carlos Gonçalves poderia estará na audiência pública.

Aliás, o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, André Pedroso, estava na Câmara e chamou a atenção que em nenhum momento observou a razão da ausência do prefeito.

 

Mudança na 15 de Novembro tem recuo da administração e “armadilha”

Diante da forte mobilização dos empresários do trecho, a administração municipal recuou da proposta de expandir a mão única na Rua 15 de Novembro. Pelo menos por enquanto.

O anúncio da ampliação da mão única entre a Bento Gonçalves e a Avenida Rio Grande do Sul motivou uma série de reclamações dos empresários. Até uma pesquisa foi realizada e apontou a unanimidade contrária à mão única naquele trecho.

O vice-prefeito Carlos Gonçalves amenizou, disse que trata-se apenas de uma possibilidade e anunciou que qualquer decisão somente será tomada após a reabertura da loja do Stok Center. Segundo ele, o movimento que a loja trará ao local apontará a necessidade ou não da ampliação do sentido único.

Dois pontos. Primeiro, o anúncio da decisão pela mudança foi feito pelo prefeito Nívio Braz. Ele não falou em estudo, confirmou a mudança. Segundo, fica claro o recuo na posição, o que é normal nesses casos. Ação e reação provocam mudanças na gestão pública.

Todavia, pode ter uma “armadilha” nesse anúncio de decisão após a reabertura do Stok Center. Afinal, se não forem feitas as mudanças necessárias para adequar o trânsito no local, com ações para facilitar o acesso ao estacionamento do mercado, pode causar algumas situações que serviriam para a embasar a mudança na via.

Como diz um esperto empresário amigo meu, seria colocar o bode na sala. Depois, tira o bode, e parece que resolveu um problema criado de propósito.

 

Eduardo Leite e a terceira via

O governador Eduardo Leite, que nesta semana esteve em Santo Ângelo, tem um concorrente interno a menos na sua intenção de disputar a Presidência da República. Ratinho Jr, seu colega do Paraná, anunciou a desistência, que estaria ligada a questões políticas locais, incluindo o ingresso de Sérgio Moro no PL e o racha na aliança de direita no Estado, e, também, ao que pode explodir no escândalo do Banco Master, como se comenta. O concorrente continua sendo Ronaldo Caiado, de Goiás.

Fala-se muito em terceira via ou “despolarização” como Leite vem definindo. Fato é que do trio de pretendentes do PSD, apenas o governador gaúcho pode ser considerado uma opção de terceira via. Caiado e Ratinho Jr são extremamente ligados ao “bolsonarismo”. Caiado, então, é radical, quase extremista. Sua candidatura seria apenas um apêndice de Flávio Bolsonaro.

Resta saber se o PSD terá mesmo intenção de buscar uma alternativa aos pólos conflituados ou pretende apenas ser coadjuvante para auxiliar o filho de Bolsonaro. É isso que o partido de Kassab terá que decidir.

 

Perguntar não ofende

Emedebistas locais que fizeram questão de encher o governador Eduardo Leite de “salamaleques” e tapinhas nas costas vão manter o plano de trair novamente o vice-governador Gabriel Souza, desta vez para apoiar Zucco?

 

Só para lembrar

O escocês Adam Smith afirmou em “A Riqueza das Nações” que as elites trabalham para o convencimento de toda a sociedade que os seus interesses são os de todos. E, pelo jeito, a prática segue a mesma, 250 anos depois. Basta ouvir alguns discursos repetidos à exaustão por aí.

 

Para refletir

“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”.

Carl Rogers

 

Foto: Marcos Luft/Câmara de Vereadores

 

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HOGUE

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