Santo Ângelo quadricentenária
No circuito missioneiro reducional, há almas aprisionadas por cordas jesuÃticas, pleiteando a libertação.
Salta aos olhos a cor da tristeza dos deambulantes, em passadas desconexas, derramando desilusão, margeando restingas, coletando incoletas, em seus frágeis balaios, sustentáculos da redução.
Porque a erva-mate tornou-se produto de exportação, para velha Europa, mas antes, houvera proibição de consumo do caá, ainda que fosse produto sui generis nativo, a congregação, por seus senhores, impôs a abolição do hábito, entre outras tantas proibições.
Hoje, o sangue quadricentenário dos guarani, faz cheiro ocre, debaixo da argamassa das artérias citadinas e os herdeiros desta saga carregam nas suas veias, o passado árduo nas jornadas cotidianas, laborando nas ervateiras.
Carregando feixes sobre o lombo, trazidos de distantes ervais, pesado fardo, mas o sumo é insorvido pela tacuapi originária, porque navios ancorados precisavam seguir rumo aos grandes mares, em contrapartida deixaria patacas os novos donos destas plagas, incluÃdas todas as riquezas naturais e das incipientes industrializações.
Por igual, outros feixes, estes, como do algodão, cujo destino também seria o dos mares europeus, até lá, transportado pelas lonjuras, por surrados ombros. Ombros nativos, restaram maculados pelas cordas daqueles tempos, a partir de 1706/1707, ainda, talhando pedras, transportando-as, assentando paredes, edificando catedrais, soerguendo taipas e outros edificações e, das pradarias antes suas, após a chegada das vestes longas, jamais recuperou o senhorio, e das pradarias então… a titulação ainda pendente, sequer, do abambaé, recebeu autenticação.
Emancipada administrativamente, Santo Ângelo traz a saga do povo originário, sangue guarani, fervilhando nas veias jamais se livrará deste suor, compreensÃvel, restou a dÃvida impagável, nas frinchas do tempo, vertem canções e súplicas doridas, ensejando versos, canções em claves de lua, as flautas silentes dos arredios originários, enquanto no frontal da catedral, merece guarida, Santo Ângelo Custódio:
Plantado na torre, Anjo guardião, / A pureza e ternura, a todos fascina, / Humano foi João, Ângelo na redução, / Sobrenatural, é entidade Divina, / enleva cuidados, ao mundo infantil, / Leciona as gentes, para Deus é servil, / Ceifada a vida, por maula mandante, / Orou pelo malfeitor, gesto elegante!!

