Outrem, recorde, óptico
Outrem existe e pode ser usado em português. É pronome indefinido substantivo. Substitui pessoa. Sinônimo de outra pessoa. Opõe-se a alguém. Outrem e alguém opõem-se a ninguém. Sílaba tônica de outrem está no ou (paroxítona). Existem em português doutrem e doutro, de outrem e de outro. Preferem-se no Brasil as formas com de – de outrem, de outro.
Recorde. A pronúncia em nível culto dessa palavra está na segunda sílaba – cor. Gravá-la e assim usá-la. No Brasil, porém, muitos preferem a pronúncia proparoxítona, ou seja, pronunciar de forma forte a primeira sílaba – re. Estão nesse tipo de pronúncia não apenas gentes de poucos estudos, mas também as de muitos, como, por exemplo, comunicadores de rádios em geral, inclusive numa ou noutra das Missões, e de noticiários em grandes canais televisivos. Alguns falantes chegam a pronunciar i o e final da palavra: ré-cor-di. Preferem esses a pronúncia da língua de Trump à da língua de Camões. Continuo – continuemos – com a de Camões.
Óptico e ótico. Em nível culto da linguagem, em nível gramatical, óptico, adjetivo, refere-se à visão, à luz; e ótico, adjetivo, ao ouvido, à audição. Em linguagem vulgar, popular, do povão, é usado ótico em sentido ótico e em sentido óptico. E tá valendo! “Tá”, em nível culto da língua, é “está”. Óptico é especialista em óptica ou comerciante de instrumentos ópticos. Óptica, como substantivo, é estudo da luz e dos fenômenos da visão. Também significa casa onde se vendem ou se fabricam instrumentos ópticos. Usado no sentido figurado, significa perspectiva, ponto de vista… Em reforço ao dito antes, os falantes gerais da língua tendem tirar a letra “p” de óptico e ficar apenas com a letra “t” de ótico. Luft em ABC da Língua Culta desaconselha em nível culto e técnico a retirada do “p” de óptico, referente à visão, para evitar confusão com ótico, referente à audição. Luft falou? Está falado, então!
Quer dizer. É expressão corretiva (= quero dizer, aliás) e explicativa (= quer isso dizer, isto é). Dois exemplos como expressão corretiva: Livros havia lá quarenta, quero dizer, sessenta. Encontravam-se na biblioteca da escola cem revistas, aliás, cento e vinte. E dois exemplos como expressão explicativa: Eles não reagiram bem, quer isso dizer, sentiram-se ofendidos. Alguns deputados federais, entre eles alguns “terrivelmente evangélicos”, desviaram verbas de emendas parlamentares, isto é, roubaram milhões de dinheiro púbico.
Assim, importa e muito observar que na escrita – também as pausas na fala fônica – as expressões quer dizer, quero dizer, aliás, quer isso dizer e isto é ficam – como bem se pode notar nas frases em tela – entre vírgulas. Sempre entre duas vírgulas.

