O cachorrinho “Não Tem”
Era pequenino, o – Não Tem! Assim chamado carinhosamente o cachorrinho tipo “sem raça,” com pelo, porém, não destes peludos atuais, ensinaram-no a sentar sobre o traseiro, desconheço se por nascença ou por outro motivo, não possuía rabo, era pitoco mesmo, o pretinho queridão da casa, o único autorizado a adentrar o cercado que circundava a casa, Não Tem, acompanhava a gurizada por todos os lugares, sempre cuidadoso, corria na frente dos piás como um guarda, zeloso, sem igual, adentrava nas sangas e no velho Ijuí, com a gurizada, de todos merecia os cuidados especiais, por pitoco? Talvez!
No entremeio da vegetação e diferente não poderia ser, é reduto de peçonhentas, assim, exigível cuidados especiais à evitar picada venenosa, Não Tem possuía percepção aguçada e por diversas vezes livrou piás de tornar-se vítimas e, naqueles idos ainda existiam animais selvagens nas propriedades dos colonos, então, era ele quem anunciava aos demais cães a presença do perigo, inclusive, denunciava a presença de raposas nos galinheiros, ainda, dotado de incrível higiene, somente fazia suas necessidades, distante da casa!
Nos dias atuais é possível perceber pessoas levando seus cães para os gramados dos canteiros, onde “despejam” seus detrito sem que os seus proprietários recolham os mesmos, não apenas causando mau odor, também, possibilitando aos pedestres, inadvertidamente, pisar sobre os dejetos espalhando-os pelas calçadas, além de ficar com resíduos na sola dos calçados, quando não na roupa dos pedestres e, quando estes – pedestres/motoristas, seguem aos veículos, visto está, Não Tem, passados décadas, por certo, nascera educado e viveu professor, espalhando ensinamentos!
A vida das pessoas passa por um processo de mutação profundo, ao Não Tem – era permitido permanecer no cercado circundante da casa, jamais, dentro de casa, até pela preocupação com a saúde humana, contraste profundo com a atualidade, onde há raças caninas belíssimas, dizem ser apropriadas ao viver dentro de recintos fechados, além de exercer função social como a parceria com os humanos, pela evolução, pode ocorrer no futuro, que os cães venham a recolher as próprias fezes, contudo, a prudência com a saliva dos bichinhos nunca pode ser considerado excessiva, mas, convenhamos, há pessoas muito mais desalinhadas do que os cães!