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SANTO ÂNGELO
22 de maro de 2026
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Opinião

Nove memórias antigas

  • março 21, 2026
  • 3 min read

A primeira vem tal qual de Rui Barbosa. “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os Poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.” A segunda vem de Silva Filho em réplica. “Mas se você combater as nulidades, sobrepor-se à desonra, revoltar-se diante das injustiças, arrancar o poder das mãos dos maus, então você sentirá o valor da virtude, respeitará a honra e terá orgulho em ser honesto.” Pena eu não ter a data precisa, apenas recorte do Correio do Povo, 1990-1. Voto consciente e cheio de espírito de brasilidade na eleição deste ano bem que poderia fazer o que diz a réplica de Silva Filho e a Lei 9840. Voto não tem preço, tem consequências.

Posto isso, a terceira, com 180 anos, vem de Herman Bruno Otto Blumenau.  “Só falta uma coisa: um governo sério, que mereça fé e confiança, e que não tenha, como agora, 99 por cento de ladrões e patifes.” Carta escrita por ele aos familiares da Alemanha em 3 de agosto de 1846 (Letras & Livros, Correio do Povo, 17 de outubro de 1991, p.13). E a quarta vem de Luiz Fernando Cirne Lima.”A acomodação não vem do medo ou da falta de vontade de brigar, mas vem da falta de convicções. Por que brigar se, no fundo, não estamos totalmente convencidos?” (Correio do Povo, 18 de dezembro de 1983)

Há mais memórias? Há. A quinta vem de Mário Juruna. “Não tem ministro nenhum que presta. Par mim, todo ministro é corrupto, todo ministro é ladrão, todo ministro é sem vergonha, todo ministro é mau caráter.” Será que esta constatação do deputado federal indígena mato-grossense valeria para alguns deputados federais e senadores brasileiros em 2026? Na pronúncia, põe-se um “d” antes do “j” – Djuruna. (Correio do Povo, 12 ou 13 de outubro de 1983, p.14-5). A sexta vem de Figueiredo. “O Brasil não merece os políticos que tem” (Rádio Guaíba, 18h50, 4 de agosto de 1984, e Jornal Nacional do mesmo dia). A sétima vem também de Figueiredo. “O povo é mais importante. A maioria deve baixar a cabeça” (Jornal Nacional, 22 de setembro de 1984). A oitava vem de Pedro Simon que não viu sair a votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado a proposta de sua autoria para “tornar inelegíveis políticos condenados em alguma instância ou que não comprovem idoneidade moral” (Correio do Povo, 4 de fevereiro de 2008, p.2). Enfim, a nona memória está na Lei 9840 – lei anticorrupção eleitoral e anticorruptos – publicada no Diário Oficial da União em 29 de setembro de 1999. Faz bem ler ou relar em 2026 as 84 páginas do livrinho Vamos Acabar com a Corrupção Eleitoral.

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Artur Hamerski

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