Moraes vê contradições em operação no Rio e ordena envio de laudos e dados de prisões

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo do Rio de Janeiro e o Tribunal de Justiça do estado enviem informações complementares sobre a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, realizada em 28 de outubro, que resultou em 121 mortes.
Moraes é o relator temporário da ADPF das Favelas, ação julgada em abril pelo Supremo, que determinou a criação de um protocolo para operações em comunidades, com o objetivo de assegurar o cumprimento dos Direitos Humanos.
Na decisão, o ministro destacou inconsistências entre as informações apresentadas pelo governo estadual — por meio da Secretaria de Segurança Pública — e dados de outros órgãos, como o Ministério Público. Por isso, ele solicitou o envio de novos documentos e relatórios sobre a operação.
Informações solicitadas pelo ministro
I) Governo do Estado do Rio de Janeiro
- Preservar todas as imagens das câmeras corporais dos policiais civis e militares e enviar a lista dos agentes e equipamentos utilizados.
- Encaminhar cópias dos laudos necroscópicos, com registros fotográficos e identificação de projéteis.
- Apresentar os relatórios de inteligência e policiais que embasaram a operação e indicavam a presença dos 51 réus da 42ª Vara Criminal, mantendo sigilo sobre o material.
- Informar as medidas adotadas para o cumprimento da decisão de 2 de novembro de 2025.
Na decisão anterior, Moraes havia determinado a preservação de todos os elementos materiais ligados à operação — como perícias e cadeias de custódia —, para permitir o controle e a verificação da atuação policial pelo Ministério Público e garantir o acesso da Defensoria Pública às provas.
II) Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro
- Enviar a lista de pessoas com mandado de prisão que foram detidas durante a operação, bem como os nomes de quem foi preso sem mandado e suas situações processuais.
- Encaminhar os resultados das audiências de custódia e dos mandados de busca e apreensão executados.
III) Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
- Remeter os relatórios e laudos da perícia independente realizada pelo órgão.
- Enviar cópia integral do Procedimento Investigatório Criminal, com todos os anexos e diligências.
IV) Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro
- Informar se as famílias das vítimas têm acesso às provas e aos procedimentos necessários para acompanhamento e assistência jurídica.
Além disso, Moraes marcou uma audiência com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com os procuradores-gerais de Justiça dos estados e do Distrito Federal, na tarde desta segunda-feira, no STF.
Na sequência, o ministro também receberá o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir o projeto de lei antifacções, encaminhado pelo governo federal.

