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SANTO ÂNGELO
07 de janeiro de 2026
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Médica espancada por ex-namorado fisiculturista retoma trabalho após cinco meses de recuperação

  • janeiro 5, 2026
  • 4 min read
Médica espancada por ex-namorado fisiculturista retoma trabalho após cinco meses de recuperação

A médica Samira Mendes Khouri, de 27 anos, retomou o trabalho e voltou a atender pacientes após cinco meses de recuperação das agressões sofridas pelo então namorado, o fisiculturista Pedro Camilo Garcia. O ataque ocorreu na madrugada de 14 de julho, data do aniversário da vítima, em um apartamento alugado pelo ex-casal em Moema, na zona sul da capital paulista. O agressor segue preso.

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, Samira relatou a emoção do retorno ao hospital. “Estava com saudade dos meus pacientes e dos meus colegas de trabalho, que me ajudaram muito na recuperação. O hospital me recebeu super bem, recebi flores, foi ótimo”, afirmou.

A médica foi socorrida por policiais militares e permaneceu internada em São Paulo até o dia 16 de julho. Em seguida, foi transferida para Santos, no litoral paulista, onde recebeu alta médica em 27 de julho.

Segundo Samira, o período após a saída do hospital foi marcado por grandes dificuldades físicas. “Quando saí, ainda estava muito mal. Não conseguia andar e perdi o equilíbrio por causa da lesão no cerebelo. Foram cerca de três semanas andando com a ajuda da minha mãe”, recordou.

A vítima levou mais de dez socos em menos de seis minutos, o que provocou diversas fraturas no rosto, incluindo ossos do nariz, do maxilar e do arco zigomático esquerdo, localizado abaixo do olho.

Além da recuperação física, Samira enfrenta diariamente os impactos psicológicos da violência. “Cada dia que eu acordo e decido enfrentar tudo isso é um momento de superação”, disse.

Ela destacou o apoio da família e das amigas como fundamental para retomar os plantões e os atendimentos on-line. “Meus pais, especialmente minha mãe, pararam tudo para me acompanhar nas fisioterapias. As minhas amigas também estiveram presentes. Esse apoio é essencial”, afirmou.

Para o futuro, a médica diz desejar uma nova fase. “Quero uma Samira renovada, que saiba identificar o que não precisa carregar. Espero que essa mira fique sem traumas em 2026”, declarou.

Alerta às mulheres

Samira acredita que sua história pode ajudar outras mulheres a reconhecer sinais de relacionamentos abusivos e buscar ajuda. Ela deixou dois recados. O primeiro é direcionado a quem sofre violência psicológica ou verbal. “Ciúmes excessivos e comportamento agressivo são sinais de alerta. Por favor, saiam desse relacionamento. É possível viver em um lugar onde exista amor e respeito”, disse.

O segundo recado é para mulheres que vivem situações de violência física. “Procurem ajuda, principalmente da polícia e da família. Esse apoio é essencial para sair do ciclo de violência”, afirmou.

Agressões motivadas por ciúmes

Em depoimento anterior, Samira contou que Pedro chegou alterado ao apartamento após ter sido expulso de uma balada LGBTQIA+ por causa de uma confusão motivada por ciúmes de um homem que, segundo ela, era homossexual.

Ainda dentro do imóvel, o fisiculturista desferiu o primeiro soco, fazendo com que a vítima caísse no chão. Mesmo após perder os sentidos, Samira continuou a ser agredida. Ela relatou que recuperou a consciência em alguns momentos e percebeu que os ataques continuavam.

Com medo de ser morta, a médica fingiu estar desacordada. “Achei que, se ele percebesse que eu estava consciente, poderia ser ainda pior”, contou.

As agressões duraram cerca de seis minutos. Após o ataque, Pedro fugiu levando o celular e o carro da vítima. Samira acredita que a intenção era impedir que ela fosse socorrida.

Agressor fraturou a mão

A violência foi tamanha que o agressor fraturou o metacarpo da mão direita, osso ligado ao dedo anelar. Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram Pedro deixando o apartamento e demonstrando incômodo na mão lesionada.

A fratura foi confirmada por exame de raio-x após a prisão. A médica ortopedista Érica Cecília Arantes de Gerard Ferreira, ouvida pelo g1, analisou as imagens e identificou a lesão na base do quarto metacarpo.

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Carolina Gomes

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