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SANTO ÂNGELO
12 de janeiro de 2026
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Lula pede investigação com participação da Polícia Federal e diz que operação no Rio resultou em “matança”

  • novembro 4, 2025
  • 4 min read
Lula pede investigação com participação da Polícia Federal e diz que operação no Rio resultou em “matança”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (4) que legistas da Polícia Federal participem da investigação sobre a operação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro, incluindo quatro policiais. Lula classificou o episódio como uma “matança”.

A operação, realizada no dia 28 de outubro, foi conduzida pelo governo do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha. Foi a ação policial mais letal da história do estado.

“A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não uma ordem de matança — e houve matança”, afirmou o presidente em entrevista à Associated Press e à Reuters, durante viagem a Belém (PA).

Lula disse que o governo busca uma forma de incluir peritos da Polícia Federal no processo de apuração das mortes. O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará uma audiência sobre o caso nesta quarta-feira (5).

“Estamos tentando essa investigação, inclusive vendo se é possível que os legistas da PF participem da perícia das mortes. Há muitas versões sobre o que aconteceu”, explicou.

O presidente também defendeu que o país saiba em que condições a operação foi conduzida, destacando que até agora há apenas versões apresentadas pela polícia e pelo governo estadual.

“É importante entender se tudo ocorreu da forma como foi relatado ou se houve algo mais grave na ação”, afirmou.

No dia seguinte à operação, o governador Cláudio Castro (PL) declarou que a ação havia sido “um sucesso” e que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos.

A repercussão do caso mobilizou o governo federal. Os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial) viajaram ao Rio na semana passada para se reunir com Castro, que está em Brasília nesta terça-feira (4) tratando do tema.

“Do ponto de vista do número de mortes, alguns podem achar que foi um sucesso. Mas, do ponto de vista da ação do Estado, foi desastrosa”, completou Lula.

Primeira crítica direta

As declarações desta terça foram a primeira crítica direta de Lula à operação. Logo após a ação, o presidente havia publicado uma nota nas redes sociais em que defendia o combate ao crime organizado, mas evitava críticas ao governo estadual.

“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias e espalhando violência. Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico, sem colocar policiais e civis em risco”, escreveu à época.

Lula também voltou a defender a PEC da Segurança Pública, proposta pelo governo federal que busca fortalecer a atuação conjunta contra o crime organizado, além do Projeto Antifacção, em tramitação no Congresso.

Opinião pública

Uma pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (3), mostra que 64% dos fluminenses aprovam a operação policial.
Além disso, 85% apoiam o aumento da pena de prisão para condenados por homicídios a mando de facções e 72% defendem enquadrar o crime organizado como terrorismo.

STF acompanha o caso

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou no domingo (2) que o governo do Rio preserve todos os elementos materiais da operação — como perícias e cadeias de custódia —, garantindo autenticidade das provas e acesso da Defensoria Pública aos documentos.

A decisão atende a um pedido da Defensoria Pública da União (DPU) e está relacionada à ADPF das Favelas, ação em que o STF fixou regras para a realização de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.

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Carolina Gomes

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