Justiça realiza primeira audiência sobre morte de mulher esquartejada em Porto Alegre

A Justiça realizou nesta quarta-feira (11) a primeira audiência de instrução do processo que apura a morte de Brasília Costa, de 65 anos, ocorrida em agosto de 2025, em Porto Alegre. O réu é o publicitário Ricardo Jardim, de 66 anos, companheiro da vítima, que está preso desde setembro do ano passado.
O caso ganhou repercussão após o acusado deixar uma mala com o tórax da vítima em um guarda-volumes da rodoviária da capital gaúcha. Outras partes do corpo foram encontradas posteriormente em diferentes pontos da cidade.
A audiência foi conduzida pela juíza Cristiane Busatto Zardo, da 4ª Vara do Júri. Ao todo, oito testemunhas indicadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foram ouvidas, entre elas familiares da vítima, o proprietário da pensão onde o casal morava e o delegado responsável pela investigação.
Durante a audiência, a defesa questionou a presença de um vestígio de DNA de uma terceira pessoa no local do crime. Segundo o delegado André Luiz Freitas, responsável pela investigação, o material genético foi identificado, mas não há elementos que indiquem a participação de outra pessoa no homicídio.
“A presença de material genético em um objeto não significa, por si só, envolvimento no crime, já que esse objeto pode ter tido contato com várias pessoas anteriormente”, afirmou o delegado.
Os advogados de defesa também informaram que irão solicitar a abertura de um incidente de insanidade mental do réu. O pedido se baseia no depoimento de uma psicóloga, amiga de infância do acusado, que relatou questões relacionadas ao estado psicológico dele.
O Ministério Público, representado pelas promotoras Luciana Cano Casarotto e Luciane Feiten Wingert, informou que poderá aditar a denúncia após a análise de novos elementos do processo, incluindo dados obtidos com a quebra de sigilo bancário da vítima.
Familiares de Brasília acompanharam a audiência. Uma das primas da vítima afirmou esperar que o acusado permaneça preso. A próxima audiência, destinada a ouvir as testemunhas de defesa, está marcada para o dia 18 de março.
Relembre o caso
O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou Ricardo Jardim por oito crimes, entre eles feminicídio, ocultação de cadáver, falsificação de documentos e vilipêndio de cadáver.
A investigação começou após o torso da vítima ser encontrado dentro de uma mala na rodoviária de Porto Alegre, em agosto de 2025. Outras partes do corpo foram localizadas posteriormente em diferentes regiões da cidade. O crânio da vítima ainda não foi encontrado.
O velório de Brasília Costa ocorreu apenas em janeiro de 2026, no Cemitério Municipal de Jaguarão, na cidade de Jaguarão, no sul do Rio Grande do Sul, onde ela viveu durante a infância e juventude.

