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SANTO ÂNGELO
02 de abril de 2026
Rádio AO VIVO
Estado

Investigação da BM aponta falhas, mas não vê crime em morte de agricultor em Pelotas

  • abril 2, 2026
  • 3 min read
Investigação da BM aponta falhas, mas não vê crime em morte de agricultor em Pelotas

A Corregedoria-Geral da Brigada Militar concluiu a investigação interna sobre a morte do agricultor Marcos Nornberg, atingido por diversos disparos durante ação policial em 15 de janeiro, na zona rural de Pelotas.

Os policiais entraram na propriedade durante a madrugada após receberem a informação de que o local seria base de uma quadrilha de roubo de veículos. O dado, no entanto, se mostrou incorreto.

O Inquérito Policial Militar (IPM) concluiu que não houve crime por parte dos agentes, apesar de reconhecer falhas graves de planejamento e de inteligência. Ao todo, 18 policiais participaram da ação, e cinco deles podem sofrer punições disciplinares, incluindo a exclusão da corporação.

Segundo a investigação, a entrada na residência sem mandado judicial foi considerada justificável diante da suspeita de flagrante envolvendo grupo armado. A abordagem aos moradores também foi classificada como compatível com o contexto da operação.

O IPM aponta ainda que os policiais reagiram após serem recebidos a tiros pelo agricultor, que teria confundido os agentes com criminosos. A perícia confirmou que ele efetuou disparos. Nesse cenário, a resposta dos policiais foi enquadrada como legítima defesa, e o número de tiros não foi considerado excessivo.

A investigação também descartou a hipótese de execução. De acordo com a análise técnica, os disparos ocorreram durante a troca de tiros, enquanto a vítima buscava abrigo dentro da casa.

Em relação à esposa do agricultor, não foram encontrados indícios de tortura. Apesar do relato de sofrimento psicológico, a perícia não identificou sinais físicos de agressão.

Mesmo sem apontar crimes, o inquérito destacou falhas na condução da operação. Entre elas, a ausência de planejamento prévio, falta de definição clara de comando e uso de informações de inteligência não verificadas.

O comandante do 4º Batalhão é citado por não avaliar adequadamente o cenário e por não considerar alternativas, como o cerco ao local e a espera pelo amanhecer. Também foram apontadas falhas na atuação de oficiais e da equipe de inteligência, que repassou informações não confirmadas.

O caso ainda pode ter novos desdobramentos. O Ministério Público poderá solicitar novas diligências ou até apresentar denúncia contra os envolvidos. A investigação sobre o homicídio segue sob responsabilidade da Polícia Civil e ainda não foi concluída.

Fonte: GZH

 

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Carolina Gomes

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