Fundador da Coligay, Volmar Santos morre aos 77 anos em Passo Fundo

Volmar Santos, criador da primeira torcida organizada LGBT do Brasil, a Coligay, morreu na manhã desta segunda-feira (19), aos 77 anos, em Passo Fundo. O falecimento foi confirmado por volta das 5h no Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), onde ele estava internado devido a complicações cardíacas, conforme relataram amigos próximos.
Referência histórica no futebol e no movimento LGBTQIA+ no país, Volmar construiu uma trajetória marcada pelo ativismo e pela cultura. Ao longo da vida, atuou como comunicador, radialista, colunista social, produtor cultural e também exerceu o cargo de secretário municipal de Cultura.
Seu nome, no entanto, ficou eternizado com a criação da Coligay, torcida organizada do Grêmio fundada em 1977, em Porto Alegre. Em plena ditadura militar, o grupo ocupou as arquibancadas do Estádio Olímpico com bandeiras coloridas, cantos e mensagens contra o preconceito, tornando-se símbolo de resistência e diversidade em um espaço historicamente marcado pela intolerância.
Natural de Passo Fundo, Volmar foi o idealizador da Coligay e tornou-se um ícone de coragem ao desafiar padrões e ampliar o debate sobre inclusão no esporte brasileiro.
A história da torcida ganhou repercussão nacional e internacional ao longo das décadas, sendo retratada em livros, reportagens e produções audiovisuais. Em 2014, o livro Coligay: Tricolores de Todas as Cores, de Léo Gerchmann, registrou essa trajetória. O autor, que se tornou amigo de Volmar durante a pesquisa, destacou a generosidade e a sensibilidade do fundador da torcida.
Nos últimos anos, o legado da Coligay voltou ao centro das atenções com o anúncio de uma minissérie e de um filme inspirados na história do grupo, reforçando a importância de Volmar Santos na construção de caminhos para a diversidade no esporte.
Volmar deixa familiares, amigos e admiradores, além de uma contribuição que ultrapassa o futebol e se inscreve na luta por respeito, liberdade e inclusão.

