EUA anunciam plano em três fases para a Venezuela após captura de Maduro

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (7) que o plano do governo americano para a Venezuela está estruturado em três etapas, tendo como fase final a transição de poder após décadas de chavismo.
De acordo com Rubio, a primeira fase prevê a estabilização do país para evitar um cenário de caos. Em seguida, os EUA pretendem conduzir um processo de recuperação econômica. A última etapa, segundo ele, seria a transição política.
Desde a captura do presidente Nicolás Maduro por forças americanas no último sábado (3), o comando do país passou para a vice-presidente Delcy Rodríguez, uma das principais lideranças do chavismo. Rubio não mencionou a realização de eleições nem detalhou como o plano será implementado.
“O primeiro passo é estabilizar o país. Não queremos que a situação se transforme em caos”, declarou o secretário, ligado ao governo do presidente Donald Trump.
Pouco depois das declarações, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que discutir um calendário eleitoral para a Venezuela ainda é “muito prematuro”.
Rubio afirmou que a estabilização inclui uma espécie de “quarentena” da Venezuela no mercado internacional. Segundo ele, os Estados Unidos pretendem apreender entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estariam impedidos de circular por causa das sanções.
“O petróleo será vendido a preços de mercado, e os recursos serão administrados de forma controlada, para beneficiar o povo venezuelano, não o regime nem a corrupção”, disse.
A segunda fase do plano, segundo Rubio, envolve a recuperação econômica, com abertura do mercado venezuelano a empresas americanas e de outros países, além do início de um processo de reconciliação nacional. Ele citou a anistia a opositores, a libertação de presos políticos e o retorno de lideranças exiladas para reconstrução da sociedade civil.
A terceira etapa, afirmou, será a transição de poder. O secretário evitou divulgar detalhes sensíveis e não mencionou novas operações militares ou a nomeação de um interventor.
Apreensão de petroleiros
Nesta quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram a apreensão dos petroleiros Marinera (antigo Bella 1), ligado à Venezuela e com bandeira russa, e do navio Sophia, que também transporta petróleo venezuelano. A medida pode ampliar as tensões entre Washington e Moscou.
O governo russo condenou a ação, afirmando que os EUA violaram o direito marítimo internacional e não tinham jurisdição para o uso da força. A Casa Branca sustenta que a apreensão é legal, alegando que o navio navegava sob bandeira falsa.
Venezuela após Maduro
Após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a Presidência de forma interina por determinação da Suprema Corte venezuelana, controlada por aliados do chavismo. O mandato provisório é de 90 dias, com possibilidade de prorrogação.
Rodríguez, de 56 anos, tomou posse diante do irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Ambos são filhos de um líder revolucionário morto nos anos 1970, durante um período em que o governo venezuelano tinha apoio dos Estados Unidos.

