
Motoristas que abastecem em Santo Ângelo já encontram diferenças significativas no preço do diesel S10 entre os postos da cidade. Levantamento realizado pela redação do Grupo Missões, nesta quarta-feira, 19 de março, no aplicativo Menor Preço Nota Gaúcha, do governo do Estado, mostra que o valor do combustÃvel pode variar mais de R$ 1 por litro.
De acordo com a consulta, o menor preço registrado foi de R$ 6,71, encontrado em diversos estabelecimentos, entre eles os postos Nevoeiro 24 Horas, Kaira, Tradição, Tiaraju e Buriti.
Já entre os maiores valores, o diesel S10 chega a R$ 7,79 no posto Santa Terezinha. Outros estabelecimentos também apresentam preços elevados, como os postos Malmann, Prime e Eagle, onde o litro foi encontrado a R$ 7,68.
A diferença entre o menor e o maior valor encontrado chega a R$ 1,08 por litro, considerando o menor preço de R$ 6,71 e o maior de R$ 7,79.
Segundo especialistas do setor, essa variação pode ocorrer porque os postos compram combustÃvel em momentos diferentes e trabalham com margens de lucro distintas. Estabelecimentos que adquiriram diesel recentemente podem repassar valores mais altos, enquanto outros ainda vendem combustÃvel adquirido anteriormente por um preço menor.
Custos podem aumentar no campo
Segundo a professora do curso de Administração da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Bruna Moraes, o cenário internacional de instabilidade pode pressionar ainda mais os custos da produção agrÃcola.
— A produção agrÃcola depende intensamente do transporte rodoviário e do consumo direto de combustÃvel nas operações de campo. Máquinas agrÃcolas e caminhões de escoamento utilizam majoritariamente diesel, de modo que qualquer aumento nos custos energéticos acaba encarecendo a colheita, o frete e reduzindo as margens do produtor — explica.
Seca agrava o cenário nas Missões
Na região das Missões, o cenário se torna ainda mais desafiador. Além da pressão internacional sobre preços de combustÃveis e insumos, os produtores já enfrentam os efeitos da estiagem, que vem comprometendo o desenvolvimento das lavouras e reduzindo o potencial produtivo da safra. Segundo a professora, essa combinação de fatores exige ainda mais cautela no planejamento financeiro.
— Em momentos de incerteza, a tendência é priorizar investimentos essenciais e adiar decisões de maior risco. Produtores e transportadores precisam reforçar o controle do fluxo de caixa e acompanhar de perto os custos operacionais — avalia. O que acontece no cenário internacional acaba influenciando diretamente as decisões tomadas aqui na propriedade rural, mostrando como a agricultura local está conectada com a economia global — conclui.
Redação Grupo MissõesÂ

