
O mês de dezembro foi marcado por volumes expressivos de chuva em Santo Ângelo. De acordo com dados da estação meteorológica do IFFar, o acumulado médio chegou a 410 milímetros. Desse total, 86 milímetros foram registrados na primeira quinzena, enquanto os 324 milímetros restantes ocorreram entre os dias 21 e 28 de dezembro.
Conforme a engenheira agrônoma e chefe da Emater de Santo Ângelo, Marcia Dezen, a ocorrência das precipitações traz alívio aos agricultores. No entanto, a alta quantidade de chuva registrada nos últimos dias causa preocupação em função do encharcamento do solo.
“Levando à erosão em solos com problemas de compactação e adensamento — situação já observada em muitas lavouras —, o volume significativo de chuva causa prejuízos como a perda de solo e de fertilizantes, além do acúmulo de água em áreas de baixadas, o que impede a germinação e o pleno desenvolvimento da cultura da soja”, afirma Marcia.
Cultivo do milho
Em relação ao milho, apesar de novembro ter registrado um acumulado de 116 milímetros de chuva, volume considerado adequado, Marcia destaca que as precipitações se concentraram na primeira quinzena do mês.
A agrônoma salienta que parte das lavouras entrou na fase de florescimento apenas na segunda quinzena, período marcado pela ausência de chuvas e por dias de calor intenso. “Essas condições climáticas adversas comprometeram a fertilização das espigas, resultando em má formação e grãos com tamanho reduzido”, explica.
O retorno das chuvas ocorreu somente no dia 8 de dezembro, o que representou cerca de 22 dias sem ocorrência de precipitação. Marcia ressalta que o volume expressivo registrado ao longo de dezembro gera apreensão no caso do milho, especialmente em relação ao processo de maturação dos grãos, que pode ser comprometido pelo excesso de umidade.
No caso do milho destinado à silagem, a agrônoma explica que os altos volumes de chuva dificultam a entrada dos agricultores nas lavouras para a confecção do material. Com isso, o trabalho acaba não sendo realizado no ponto ideal de corte, o que compromete a qualidade do alimento.
Orientações da Emater/RS-Ascar
Diante desse cenário, a Emater/RS-Ascar orienta os produtores quanto ao manejo adequado do solo, destacando a necessidade de repensar sua estruturação, identificar e corrigir problemas de compactação e adensamento. O objetivo é criar um ambiente com maior capacidade de infiltração e retenção de água no perfil do solo, reduzindo os riscos de erosão.
A entidade também alerta para a importância de obras estruturantes nas lavouras, como a construção de terraços em áreas declivosas, a fim de evitar perdas de solo. “Essas ações precisam ser pensadas de forma preventiva, já que episódios de chuvas excessivas têm ocorrido com maior frequência, exigindo adaptação à nova realidade climática”, finaliza Marcia.
Redação Grupo Missões

