Assine o Jornal das Missões! Clique aqui!
SANTO ÂNGELO
09 de abril de 2026
Rádio AO VIVO
País

Câmera corporal registra abordagem que terminou com morte de mulher em ação da PM em São Paulo

  • abril 9, 2026
  • 5 min read
Câmera corporal registra abordagem que terminou com morte de mulher em ação da PM em São Paulo

Imagens de câmera corporal da Polícia Militar de São Paulo registraram a sequência da abordagem que terminou com a morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, na última sexta-feira (3), na Cidade Tiradentes, em São Paulo.

A mulher foi baleada no peito por uma policial militar após uma discussão e aguardou cerca de 30 minutos por socorro. Ela chegou a ser levada ao hospital, mas não resistiu.

As imagens, obtidas pela TV Globo, mostram que a ocorrência começou às 2h58, quando o retrovisor de uma viatura atingiu o marido da vítima, Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava ao lado dela. Após o contato, houve discussão entre o casal e os policiais.

Durante a abordagem, a soldado Yasmin Cursino Ferreira desceu da viatura e, segundos depois, um disparo é ouvido. A câmera não registra o momento exato do tiro, mas mostra o colega, Weden Silva Soares, questionando se ela havia atirado. A policial afirmou que reagiu após ter sido agredida.

As imagens também evidenciam a demora no atendimento. O socorro só chegou por volta das 3h30, mais de meia hora após o disparo. Nesse período, o estado de saúde da vítima se agravou.

Os dois policiais foram afastados preventivamente enquanto o caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Corregedoria da corporação. A arma utilizada foi apreendida.

O caso foi registrado inicialmente como resistência seguida de morte no 49º Distrito Policial. A Secretaria da Segurança Pública ainda não detalhou a tipificação final da ocorrência.

Após a morte, moradores da região realizaram protestos pedindo justiça. Thawanna deixa uma filha de cinco anos.

Cronologia do caso pela body cam de PM

Veja abaixo os principais pontos da sequência a partir do ponto de vista da câmera corporal do soldado:

2h58 – Viatura da PM com o soldado Weden Silva Soares, que dirige o veículo e usa câmera corporal, e Yasmin Cursino Ferreira, no banco do passageiro, entra na Rua Edmundo Aldran, na Cidade Tiradentes. O retrovisor do carro atinge o braço de Luciano Gonçalves dos Santos, que caminhava ao lado de Thawanna. Weden para, dá ré e xinga: “A rua é lugar pra você tá andando, caralho?”. Em seguida, há uma discussão. “Com todo respeito, vocês que bateram em nós”, diz a mulher. Yasmin desce da viatura. Durante a discussão, Thawanna afirma: “Você não aponta o dedo em mim, não”.

2h59 – Weden também desce e vai para a parte de trás da viatura discutir com Luciano. Seis segundos depois, é possível ouvir o disparo na parte da frente do veículo. Ao se aproximar, o policial pergunta: “Atirou? Cê atirou nela?”. Yasmin responde: “Ela deu um tapa na minha cara”. Luciano retruca: “Bateu, não!”. Weden manda o homem se afastar e pega o celular para pedir uma ambulância.

3h – Outra viatura da PM chega. Weden informa: “A menina tá baleada. Fox atirou”. Fox é uma gíria usada por policiais para se referir a uma agente feminina.

3h03 – Sem a chegada do resgate, Weden inicia os primeiros socorros: “Peraí, já tá vindo o resgate, tá?”.

3h05 – Thawanna reclama: “Ai, tá doendo”. Weden responde: “Não faz força. Fica de boa. Já vai, já vai chegar o resgate”. Em seguida, ao ser questionado por Yasmin sobre o atendimento, ele diz: “Tá vindo já”.

3h07 – Outros policiais chegam e perguntam o que aconteceu. Weden relata: “A gente tava passando aqui e o retrovisor acabou pegando no cara lá, e eles vieram pra cima da viatura. Aí a Fox desembarcou. Quando desembarcou foi pra cima dela, deu um tapa na cara dela, e tava continuando indo pra cima dela, e ela atirou nela.”

3h11 – Yasmin fala algo inaudível, e o colega responde: “Relaxa, agora já foi já”.

3h16 – Weden cobra a chegada do resgate ao perceber piora no estado da vítima: “Tá ficando branco já… cadê o resgate? Copom, reitera o resgate para Edimundo Audran”.

3h24 – Weden volta a explicar pela sexta vez a ocorrência para outros policiais: “Eu tava tentando afastar o cara, ela desceu, a mulher já foi pra o lado dela, começou o embate lá, ela deu o tapa nela… Aí quando eu vi, eu ouvi o disparo… achei até que tinha atirado no chão, mas se ela tava indo pra cima dela… tá certa.”

3h26 – “Seria interessante achar uma câmera que mostra ela te dando tapa na cara”, diz Weden a Yasmin.

3h27 – Em nova fala, o soldado diz à colega: “Não era pra ter atirado não, mas… ter atirado porque ela vim pra cima de você, te bater, pegar sua arma. Porque se ela vai pra cima de você, começa a te bater, o cara ia me segurar.”

3h30 – A ambulância do Corpo de Bombeiros chega ao local. Thawanna estava havia mais de 30 minutos aguardando socorro.

3h35 – A vítima é colocada na maca dentro da ambulância. As imagens não mostram, mas depois ela foi levada a um hospital, onde não resistiu e morreu.

3h37 – Um policial que se apresenta como PPJ chega e recolhe a arma de Yasmin. PPJ é a sigla que a PM usa para se referir a um policial militar de plantão que atua para a Justiça Militar. “A sua arma, pode deixar na minha viatura”, diz o agente. “Porque quando o delegado perguntar, o PPJ, o oficial PPJ já recolheu… já apreendeu, tá?”

3h43 – Os dois policiais envolvidos na ocorrência que terminou na morte da mulher deixam o local em outra viatura da PM.

About Author

Carolina Gomes

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *