Brasil registra 1.568 feminicÃdios em 2025; RS lidera casos na Região Sul, aponta FBSP

Na semana do 8 de março, data do Dia Internacional da Mulher, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou uma pesquisa inédita com dados alarmantes sobre a violência de gênero no paÃs. O estudo, intitulado Retrato dos FeminicÃdios, revela que 1.568 mulheres foram vÃtimas de feminicÃdio no Brasil em 2025 — alta de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021.
Entre 2021 e 2025, o Rio Grande do Sul concentrou o maior número de casos da Região Sul, com 444 registros — o equivalente a 38,8% das mortes na região. No mesmo perÃodo, o Paraná contabilizou 429 ocorrências e Santa Catarina, 272.
Considerando o tamanho da população feminina, RS e PR registraram taxa de 1,4 feminicÃdio a cada 100 mil mulheres em 2025. Em SC, o Ãndice foi de 1,3 por 100 mil.
— É um retrato com base nos registros da PolÃcia Civil e pode sofrer alterações, inclusive com aumento dos números — afirma Samira Bueno, socióloga e diretora-executiva do FBSP.
Segundo ela, parte dos casos pode passar por reclassificação jurÃdica ou envolver vÃtimas que estavam hospitalizadas no momento do levantamento. A pesquisadora também aponta dificuldades de algumas polÃcias na identificação e no enquadramento correto dos crimes como feminicÃdio, o que compromete a consolidação de estatÃsticas e a formulação de polÃticas públicas.
Metade dos casos ocorre em cidades pequenas
Desde a criação da lei do feminicÃdio, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão do gênero no Brasil. O estudo traça ainda o perfil das vÃtimas e dos locais onde os crimes ocorreram.
Mulheres negras representam 62,6% das vÃtimas. A maioria dos assassinatos acontece dentro de casa e é praticada por companheiros ou ex-companheiros. Facas e machados estão entre os instrumentos mais utilizados.
— É o que o agressor encontra dentro de casa — explica Samira.
Metade dos feminicÃdios analisados ocorreu em municÃpios com menos de 100 mil habitantes. Nessas cidades, delegacias especializadas e abrigos são escassos ou inexistentes.
— Em municÃpios pequenos, há maior exposição. Todos se conhecem, e isso pode dificultar a denúncia — observa a socióloga.
Em 2024, 13,1% das vÃtimas no Brasil tinham medida protetiva. No RS, o Ãndice foi de 12,5%.
— O feminicÃdio é o crime com a maior pena no Código Penal. A fiscalização das medidas protetivas é responsabilidade do Executivo, como guardas municipais e polÃcias militares. As forças de segurança falharam. O problema não é a lei — afirma.
Prevenção exige mudança cultural
Para a diretora do FBSP, a violência de gênero está ligada a fatores culturais e à naturalização de comportamentos machistas. O enfrentamento passa por acolhimento à s vÃtimas, fiscalização das medidas, responsabilização dos agressores e polÃticas de educação desde a infância.
— Ele será preso, mas um dia sairá. Se não houver mudança estrutural, pode repetir o comportamento violento. Apenas punir não resolve o problema — avalia.
Como pedir ajuda
Brigada Militar – 190
Em caso de violência em andamento, a vÃtima ou qualquer pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento funciona 24 horas.
PolÃcia Civil
Se a violência já ocorreu, a vÃtima deve procurar, preferencialmente, uma Delegacia da Mulher ou qualquer delegacia para registrar ocorrência e solicitar medida protetiva.
Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da PolÃcia, no bairro Azenha. Telefones: (51) 3288-2173, 3288-2327, 3288-2172 ou 197 (emergências).
Delegacia Online
É possÃvel registrar ocorrência pela internet e solicitar medidas protetivas de urgência.
Central de Atendimento à Mulher – 180
Funciona 24 horas por dia, em todo o Brasil. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para atendimento. A denúncia pode ser anônima.
Defensoria Pública – 0800-644-5556
Oferece orientação jurÃdica gratuita.
Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Prestam acolhimento psicológico, social e orientação jurÃdica.
Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende presencialmente nas Promotorias de Justiça do Interior e também por meio virtual, pelo site da instituição.

