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SANTO ÂNGELO
09 de março de 2026
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Segurança

Brasil registra 1.568 feminicídios em 2025; RS lidera casos na Região Sul, aponta FBSP

  • março 4, 2026
  • 4 min read
Brasil registra 1.568 feminicídios em 2025; RS lidera casos na Região Sul, aponta FBSP

Na semana do 8 de março, data do Dia Internacional da Mulher, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou uma pesquisa inédita com dados alarmantes sobre a violência de gênero no país. O estudo, intitulado Retrato dos Feminicídios, revela que 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025 — alta de 4,7% em relação a 2024 e de 14,5% na comparação com 2021.

Entre 2021 e 2025, o Rio Grande do Sul concentrou o maior número de casos da Região Sul, com 444 registros — o equivalente a 38,8% das mortes na região. No mesmo período, o Paraná contabilizou 429 ocorrências e Santa Catarina, 272.

Considerando o tamanho da população feminina, RS e PR registraram taxa de 1,4 feminicídio a cada 100 mil mulheres em 2025. Em SC, o índice foi de 1,3 por 100 mil.

— É um retrato com base nos registros da Polícia Civil e pode sofrer alterações, inclusive com aumento dos números — afirma Samira Bueno, socióloga e diretora-executiva do FBSP.

Segundo ela, parte dos casos pode passar por reclassificação jurídica ou envolver vítimas que estavam hospitalizadas no momento do levantamento. A pesquisadora também aponta dificuldades de algumas polícias na identificação e no enquadramento correto dos crimes como feminicídio, o que compromete a consolidação de estatísticas e a formulação de políticas públicas.

Metade dos casos ocorre em cidades pequenas

Desde a criação da lei do feminicídio, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão do gênero no Brasil. O estudo traça ainda o perfil das vítimas e dos locais onde os crimes ocorreram.

Mulheres negras representam 62,6% das vítimas. A maioria dos assassinatos acontece dentro de casa e é praticada por companheiros ou ex-companheiros. Facas e machados estão entre os instrumentos mais utilizados.

— É o que o agressor encontra dentro de casa — explica Samira.

Metade dos feminicídios analisados ocorreu em municípios com menos de 100 mil habitantes. Nessas cidades, delegacias especializadas e abrigos são escassos ou inexistentes.

— Em municípios pequenos, há maior exposição. Todos se conhecem, e isso pode dificultar a denúncia — observa a socióloga.

Em 2024, 13,1% das vítimas no Brasil tinham medida protetiva. No RS, o índice foi de 12,5%.

— O feminicídio é o crime com a maior pena no Código Penal. A fiscalização das medidas protetivas é responsabilidade do Executivo, como guardas municipais e polícias militares. As forças de segurança falharam. O problema não é a lei — afirma.

Prevenção exige mudança cultural

Para a diretora do FBSP, a violência de gênero está ligada a fatores culturais e à naturalização de comportamentos machistas. O enfrentamento passa por acolhimento às vítimas, fiscalização das medidas, responsabilização dos agressores e políticas de educação desde a infância.

— Ele será preso, mas um dia sairá. Se não houver mudança estrutural, pode repetir o comportamento violento. Apenas punir não resolve o problema — avalia.

Como pedir ajuda

Brigada Militar – 190
Em caso de violência em andamento, a vítima ou qualquer pessoa deve ligar imediatamente para o 190. O atendimento funciona 24 horas.

Polícia Civil
Se a violência já ocorreu, a vítima deve procurar, preferencialmente, uma Delegacia da Mulher ou qualquer delegacia para registrar ocorrência e solicitar medida protetiva.

Em Porto Alegre, a Delegacia da Mulher fica na Rua Professor Freitas e Castro, junto ao Palácio da Polícia, no bairro Azenha. Telefones: (51) 3288-2173, 3288-2327, 3288-2172 ou 197 (emergências).

Delegacia Online
É possível registrar ocorrência pela internet e solicitar medidas protetivas de urgência.

Central de Atendimento à Mulher – 180
Funciona 24 horas por dia, em todo o Brasil. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para atendimento. A denúncia pode ser anônima.

Defensoria Pública – 0800-644-5556
Oferece orientação jurídica gratuita.

Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Prestam acolhimento psicológico, social e orientação jurídica.

Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende presencialmente nas Promotorias de Justiça do Interior e também por meio virtual, pelo site da instituição.

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Carolina Gomes

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