Brasil e EUA avançam em parceria para combater tráfico internacional de armas e drogas
Carolina Gomes
- abril 10, 2026
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O Ministério da Fazenda informou que está na etapa final de um acordo entre a Receita Federal e a agência de fronteiras dos Estados Unidos, a U.S. Customs and Border Protection (CBP), com foco no enfrentamento ao crime organizado transnacional.
A iniciativa, chamada de Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), pretende integrar ações de inteligência e operações conjuntas para interceptar cargas ilegais, especialmente de armas e entorpecentes.
Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, nos últimos 12 meses foram apreendidas cerca de meia tonelada de armamentos em portos e aeroportos brasileiros, além de 1,5 tonelada de drogas — com destaque para substâncias sintéticas e haxixe.
O governo brasileiro afirma que a cooperação faz parte do diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, inserida em uma agenda mais ampla de colaboração bilateral voltada ao combate ao crime organizado.
Programa “Desarma” amplia monitoramento
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que o acordo prevê a troca de informações sobre cargas enviadas dos Estados Unidos ao Brasil, incluindo dados de inteligência, para reforçar a prevenção ao tráfico.
A parceria também inclui o lançamento do programa “Desarma”, um sistema da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas. A ferramenta permitirá o compartilhamento em tempo real de informações sempre que forem identificados produtos de origem norte-americana ligados a armamentos, munições, peças ou outros itens sensíveis.
Caso o envio ilegal não seja evitado, o sistema possibilita a notificação às autoridades dos Estados Unidos, com detalhes sobre o material apreendido, sua origem e rota, para aprimorar os mecanismos de controle.
Além disso, o sistema organiza dados como tipo de produto, origem declarada e informações logísticas, e permite o envio de alertas entre as aduanas dos dois países.
Contexto internacional
O anúncio ocorre em meio a discussões nos Estados Unidos sobre a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
A medida tem sido debatida dentro do governo norte-americano, que já adota políticas semelhantes em relação a grupos criminosos de outros países da América Latina. Até o momento, não há posicionamento oficial sobre a inclusão das facções brasileiras nessa lista.
Nos EUA, a designação como organização terrorista implica sanções econômicas e restrições, geralmente aplicadas a grupos considerados ameaças à segurança interna do país.

