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SANTO ÂNGELO
31 de dezembro de 2025
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País

Banco Master é alvo de nova suspeita de fraude envolvendo fundos da Reag

  • dezembro 31, 2025
  • 3 min read
Banco Master é alvo de nova suspeita de fraude envolvendo fundos da Reag

Uma nova suspeita de fraude envolvendo o Banco Master aponta para o uso de fundos administrados pela Reag DTVM, instituição do setor financeiro investigada na operação Carbono Oculto, que apura a atuação da máfia dos combustíveis e possíveis vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

As suspeitas foram comunicadas pelo Banco Central (BC) ao Ministério Público Federal (MPF) em 17 de novembro e podem envolver valores de até R$ 11,5 bilhões. De acordo com as investigações, recursos desses fundos teriam sido utilizados para realizar aportes de capital no Banco Master, com o objetivo de manter o funcionamento da instituição nos últimos meses do ano.

No entanto, técnicos do BC identificaram indícios de que os valores empregados estavam lastreados em ativos de baixa liquidez e com preços inflados, o que significa que os recursos valiam menos do que o montante registrado nas operações financeiras.

Segundo apuração do Banco Central, o esquema seguia um padrão: o Banco Master concedia empréstimos a empresas, que aplicavam os recursos em fundos de investimento. Esses fundos, por sua vez, adquiriam ativos com baixa liquidez e valor superestimado, inflando artificialmente os preços — como, por exemplo, títulos que valiam R$ 100 sendo negociados por R$ 1.000.

As operações envolviam empresas ligadas a Daniel Vorcaro ou a pessoas de sua confiança, que utilizavam fundos administrados pela Reag DTVM. A empresa é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro do crime organizado.

O Banco Central teve acesso a documentos enviados ao MPF que apontam indícios de crimes contra o sistema financeiro nacional, atribuídos aos administradores do Banco Master e da Reag DTVM. Um dos trechos destaca que, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master realizou operações estruturadas de crédito corporativo que somam R$ 11,5 bilhões, com elevada concentração de risco e em desacordo com princípios básicos de gestão financeira, como liquidez e diversificação.

Ainda conforme o documento, essas operações tinham como garantia fundos de investimento que, em tese, deveriam funcionar como instrumentos de liquidez, entre eles o Bravo 95 Fundo de Investimento Multimercado. Para o BC, o Banco Master falhou no gerenciamento dos riscos de crédito e liquidez desses ativos.

A avaliação dos técnicos é de que a estratégia foi adotada para evitar a reavaliação dos ativos pelo valor real de mercado, permitindo que valores inflados fossem utilizados para justificar os aportes de capital exigidos pelo próprio Banco Central.

Em resposta ao Tribunal de Contas da União (TCU), o BC afirmou que a liquidação do Banco Master ocorreu após o esgotamento das alternativas de solução de mercado, diante da grave situação econômico-financeira da instituição, da incapacidade de honrar compromissos e da constatação de irregularidades com indícios de crimes que comprometeram a solvência do conglomerado.

A reportagem entrou em contato com o Banco Master e com Daniel Vorcaro para obter posicionamento sobre os indícios apontados pelo Banco Central, mas não houve resposta até o fechamento do texto.

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Carolina Gomes

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