As auroras retornam
Clarinadas orquestradas, melodias sonoras, canções de antigos tronos, remoçadas no tempo, com vestes originais, outras, com conotações repintadas ao sabor dos seresteiros, porém, mantida a essência nas vozes de doce sonar, pousando suavizadas na mente receptora, para adocicar a vida das almas que tropeiam nas chuvas da estrada, irmanadas ao reponte daquelas que partiram levando consigo os próprios sonhos, conduzidas por tropeiros de outras estirpes, almas gêmeas as das tropas encharcadas de saudade, entristecidas pelas avalanches retirantes!
Nas patas dos pingos, as auroras retornam retorcidas de carinho, enxaguadas pelo sereno estendido em rubras faces, rejuvenescidas pelas madrugadas, enquanto, aos sóis findares, o dia se põe em pesadas súplicas, dor emagrecida que machuca os fletes e o destino, deitando estradas nas cancioneiras canções, mugires cantatas, rodando na face estreita das alongadas faces das sesmarias, que teimam em bebericar as gotículas que enfeitam os aramados das longas estradas reais, imagens alastradas nos olhos semeados em faces pesadas pela dor, ante a ausência do ter!
As auroras retornam nas vozes dos poetas, dos pássaros cantores, dos galos madrugadores, ouço-os em cantigas doridas, outras, em coloridas tonalidades, partilhando as fragrâncias do pampa – sem partilha-lo, nem dividi-lo, sequer castra-lo ou à outros destiná-lo, fazem-no em luzeiras vergas, igual o arador, arando os lindos banhadais – as lindas várzeas, bebem-no os vates – com voracidade, louca vontade da aragem beber a aragem como se águas fosse, mas em fragrâncias, áureas benevolências, numa dosimetria contagiante, brindando o viver nas antemanhãs!
Os vestígios das auroram perlustram não apenas no horizonte, também assim o fazem, na face oposta do breu quando este, teima em retirar-se do ambiente, antes, dele, agora do novo alvorecer…, onde ondas luminosas extravasam sentimentos, cores, depositam virtudes e inquietudes, arquitetam sonhos e fantasias, subjugando o mal, para reabilitar o bem e a bem-querença, essa topetuda virtude de compartilhar as brisas envolventes pairando nos ares da imensidão, fluídos dignificantes, espraiados pelo vento, nos arrebóis onde a humanidade está, estaria ou deveria sonhar eterna liberdade!

