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SANTO ÂNGELO
24 de outubro de 2026
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Opinião

O preço daquilo que não volta

  • outubro 24, 2026
  • 2 min read

Passei boa parte da vida acreditando que trabalhar era também uma maneira de conquistar o mundo. E, de certa forma, é. Com esforço, compramos a casa, o carro, realizamos viagens, construímos patrimônios e proporcionamos conforto a quem amamos. Há uma beleza imensa nisso. Cada conquista carrega sacrifícios silenciosos, noites mal dormidas e sonhos que, finalmente, ganharam forma. Mas existe uma riqueza que nenhum trabalho consegue produzir, nenhum banco pode guardar e nenhuma fortuna é capaz de devolver: o tempo.

O ex-presidente uruguaio José Mujica dizia que não compramos as coisas com dinheiro, mas com o tempo de vida que gastamos para conquistá-lo. Quanto mais penso nisso, mais profunda essa verdade me parece. O preço de uma casa não está apenas na escritura, mas nas horas que deixamos de viver enquanto trabalhávamos para pagá-la. O preço de um carro talvez esteja em tantos finais de tarde que não vimos terminar. E, curiosamente, passamos a vida inteira calculando o valor das coisas, mas raramente calculamos quanto de nós entregamos por elas.

O problema é que costumamos compreender isso tarde demais. Às vezes, diante de um caixão. Outras, quando os pais envelhecem, os filhos crescem ou o espelho começa a nos devolver alguém que já não reconhecemos inteiramente. É quando percebemos que dinheiro algum compra mais uma conversa com quem partiu, uma infância que terminou ou aquele domingo em família que adiamos porque tínhamos compromissos importantes.

Não escrevo isso para diminuir o valor do trabalho. Continuo acreditando na dignidade de construir, conquistar e prosperar. Mas tenho aprendido que prosperidade também é poder estar presente. É ter tempo para um abraço demorado, uma visita sem pressa, uma conversa sem olhar o relógio. Talvez amadurecer seja justamente descobrir que nem tudo aquilo que podemos comprar merece o tempo que custa.

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NORBERTO WEBER WERLE

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